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literatura, cinema e afins

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Ter | 09.04.19

Perguntas & Respostas

Mar Pereira

It's been 84 years, eu sei. Mas finalmente venho responder a algumas questões que me fizeram há uns meses. Desde já, quero agradecer a toda a gente que enviou alguma, espero que não fiquem desiludidos com as respostas!

 

1) Se pudesses trocar uma das leituras obrigatórias do secundário qual seria? (e por qual trocarias).

Olhando para o programa de Português do secundário, que é aquele com que estou mais familiarizada de momento, penso que as listagens tanto de obras como de autores são bastante boas. A única obra que trocaria era Farsa de Inês Pereira, de Gil Vicente. Não gostei nada, nem um bocadinho, do livro, embora perceba o porquê de estar presente no programa. Se essa obra desaparecesse e surgisse mais tempo livre no 12ºano, acho que seria interessante estudar autores contemporâneos mais próximos de nós, como Valter Hugo Mãe, Mário de Carvalho (que é ligeiramente explorado, mas nada de extraordinário),...

Sim, acho que era isso mesmo: tirava a Farsa de Inês Pereira e acrescentava um novo autor contemporâneo, se fosse possível fazê-lo.


2) Que disciplina achas que está em falta no ensino português? E qual achas que deveria ser opcional?

Acho que falta uma disciplina que prepare efetivamente os jovens para o futuro. Quando acabam o 12º (ou têm 18 anos) maior parte das pessoas não sabe lidar com impostos, não tem educação financeira, não sabe como funcionam as eleições em Portugal. Felizmente estou num curso e tenho disciplinas que me preparam para esses tópicos, nomeadamente História e MACS (temos educação financeira na disciplina). Bem sei que são coisas que qualquer pessoa pode, autonomamente, pesquisar e procurar saber, mas acho que o papel da escola, mais do que preparar alunos para cuspir matéria em exames, deve ser educativo. Isto é educação e falha redondamente na maior parte dos cursos. 

Quanto a disciplinas opcionais, não consigo dar-te uma resposta porque acho que todas, todas mesmo, são importantes, quer no básico, quer no secundário. Se tudo o que aprendi tem utilidade agora? Não, utilidade não tem, mas é conhecimento e esse bicho nunca fez mal a ninguém. Por exemplo, eu, infelizmente, não atino com Filosofia, não sei se é o método de ensino utilizado ou outro fator qualquer, mas não atino com a disciplina e não gosto, não gosto nada mesmo. Mas reconheço-lhe a importância, aliás, a muita importância, que a disciplina tem. Todas as disciplinas têm os seus pontos fortes e fracos e não é por não gostarmos de uma que automaticamente ela deixa de ter importância. 

As disciplinas que temos no currículo ensinam-nos de tudo um pouco e isso é fundamental na educação e crescimento do ser humano, basta olhar para a educação dada no Renascimento.


3) Clássico estrangeiro preferido? 

Esta é difícil. Li tão poucos, ainda. Mas talvez apontasse para o Madame Bovary, já que me levou a reflexões bastante profundas. Podem ler a minha opinão aqui

NOTA: Terminei há poucos dias O Despertar (Kate Chopin) e penso que o lugar de "clássico estrangeiro preferido" poderá ser ocupado, temporariamente, por ele. Podem ler a minha breve opinião aqui

 

4) Autor que consideras overrated. 

Colleen Hoover. Mas MUITO overrated. Não percebo a hype, detestei tudo o que li dela até agora (desculpem, fãs!).

 

5) Quantos livros tens (lidos + não lidos)?

No dia de hoje, 7 de abril de 2019, tenho na estante 176 livros, dos quais 86 estão lidos, 72 estão por ler e os restantes são livros que tenho, porém não tenho um particular interesse em ler, mas quem sabe um dia.

 

6) Consegues ler mais que um livro ao mesmo tempo?

Sim, e acontece com frequência. Normalmente leio um em casa, em formato físico, e ando com um digital no telemóvel sempre atrás de mim para "tapar buracos" e ocupar tempos de espera.

 

7) Que livros recomendarias para um jovem passar a ter o bichinho da leitura?

Para um jovem (13-17), acho que recomendaria, inicialmente YA. Em qualquer variável, quer fantasia, quer contemporâneo. Os adolescentes têm um problema de incompreensão e incompatibilidade muito grande, isto é, nós achamos sempre que nunca ninguém nos percebe, nunca sentimos que alguém tem os mesmos problemas que nós (eu sei, somos autênticas drama queens), e a literatura YA permite que esses mesmos jovens se sentiam representados e digam "eu não sou o único".

Mas, excluindo o YA, e falando pessoalmente porque foram este tipo de livros que me incentivaram a ler mais e a procurar mais livros, acho que livros sobre livros podem funcionar muito bem. Por exemplo, o Vamos Comprar um Poeta, de Afonso Cruz, que é, já agora, um dos meus livros favoritos de sempre, ou A Rapariga que Roubava Livros. Harry Potter e Os Jogos da Fome também são sempre boas opções.

Acho que o fundamental é dar ao jovem um livro com o qual ele se identifique e que seja bom o suficiente para ele se esquecer que tem um telemóvel, uma televisão ou uma consola ali ao pé. É isso que faz nascer paixão e amor e a ligação das pessoas com os livros, essa ligação só acontece quando abraçamos e somos abraçados pelo livro. 

 

Quero agradecer, novamente, a toda a gente que enviou questões. Talvez daqui a uns meses repita a experiência.

 

Até breve! 😊

instagram | twitter | goodreads | mareads21@gmail.com

 

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