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literatura, cinema e afins

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Qui | 28.06.18

Literatura | Opinião: "Os Livros Que Devoraram o Meu Pai", de Afonso Cruz

Mar Pereira

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“Os livros encostados uns aos outros, numa prateleira, são universos paralelos!” (pág.96) 

Não podia estar mais de acordo. Os livros que temos nas nossas prateleiras, ou nas prateleiras da biblioteca, ou em qualquer prateleira, são exatamente como bilhetes de avião: fazem-nos entrar a bordo, presenciar pessoas completamente desconhecidas e imaginar as suas histórias; fazem-nos sobrevoar locais e, o melhor, fazem-nos aterrar num, possivelmente, espaço desconhecido.

Isto tudo para vos dizer que este livro, para mim, foi isso mesmo: uma viagem. Foi tirar um bilhete de avião, conhecer gente, conhecer histórias. E isto tudo apenas estando com o livro na mão, a folhear as suas páginas e a devorar as suas intrigas.

Este é um livro que fala sobre livros, que nos leva a lugares que imaginamos constantemente na nossa cabeça. Como se, finalmente, conseguíssemos ir a Hogwarts e estivéssemos mesmo lá. Construímos o cenário na nossa imaginação e, depois, é só mergulhar entre as linhas da história que fez com que fosse criada.

Não me lembro de algum dia ter lido um livro que fizesse de mim uma tal mistura de sentimentos como este livro fez: rir à gargalhada, chorar que nem uma desalmada. Isto apenas em segundos. No entanto, devo admitir, não é o melhor que já li do autor.

A única coisa que me desagradou um bocadinho no livro, foi o final (que não vou revelar, podem estar descansados). Considerei-o um bocadinho repentino e abrupto. (Curiosamente, foi mesmo isto que me fez chorar e ficar com o coração apertadinho)

Quem gosta de livros (sobretudo, quem gosta de Clássicos) vai adorar este livro. Tenho (quase) a certeza! Este é mesmo um desses livros: um livro para quem gosta de livros.

Quanto à escrita, e porque eu deixo sempre o melhor para o fim, apenas digo: mais do mesmo. Escrita fluída, poética e absolutamente maravilhosa. Nunca esperaria menos de Afonso Cruz, que está destinado a ser um dos meus autores favoritos, não só de 2017, mas da vida.

É sempre um prazer ler as suas palavras, e uma satisfação enorme que o mundo da literatura portuguesa tenha sido presenteada com tamanho talento!

 

Porque nós somos feitos de histórias, não é de a-dê-énes e códigos genéticos, nem de carne e músculos e pele e cérebros. É de histórias.

Os Livros Que Devoraram o Meu Pai, Afonso Cruz

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5/5 - Excelente

 

 Até breve! 😊