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leio, por isso penso, logo existo.

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Dom | 18.08.19

Como Poupar Dinheiro em Material Escolar

Mar Pereira

Falta um mês para o início do ano escolar 2019/2020, já começaram as campanhas de regresso às aulas e, em agosto, várias pessoas começam a procurar comprar os materiais necessários para a escola, de cadernos, a lápis, canetas, mochilas, etc (podíamos estar aqui meio ano a elencar material escolar). A juntar às despesas em material escolas temos também possíveis despesas com manuais (com a plataforma MEGA essa já não é uma dor de cabeça para muita gente), o que, tudo somado, poderá ser equivalente a um grande desfalque financeiro nas contas de muitas famílias. 

Por experiência própria (e agora que vou para o 12º noto isso mais do que nunca), penso que os anos da primária (1º até ao 4º ano) e do básico (do 5º até ao 9º ano), mas sobretudo no básico, são os anos em que mais material é necessário, tanto em quantidade como em diversidade, já que, por um lado, há uma grande quantidade de disciplinas e, por outro, uma grande diversidade entre elas (Educação Musical, Educação Visual ou Artes Plásticas, Matemática e por aí fora).

A quantidade de material que comprava no básico não se compara, de forma nenhuma, à quantidade de material que compro para o secundário. No básico, precisava de lápis de cor, lápis de cera, marcadores, guaches, pincéis, mil e um cadernos, trezentas qualidades diferentes de lápis... A conta era sempre choruda no final.

Já no secundário, excetuando alguns cursos (como Artes), já não existe tanta necessidade de compra. Porém, também poderão ter que ser feitos investimentos generosos, por exemplo, em calculadoras gráficas, para Matemática A ou para MACS (suponho que também seja precisa em Matemática B), que custam sempre para cima de 100€. Tirando isso, o material que tive de comprar foi sempre básico e nunca gastei mais de 15/20€.

 

ANTES DA IDA ÀS COMPRAS

  • Avaliar o estado do material do ano transato (e até de outros anos)

Tirem uma tarde para pegar em tudo, tudo mesmo!, o que usaram no ano passado a nível de material escolar. As canetas, os lápis, as borrachas, as afias/aguças/apara-lápis, os cadernos... TUDO. Depois, avaliem o estado das coisas. Maior parte dos produtos podem ainda estar em perfeitas condições para serem reutilizados no ano seguinte. 

Por exemplo, vamos supor que usaram cerca de 30/40 folhas de um caderno com 80, ou seja, que usaram apenas metade do caderno. Será que vale mesmo a pena mandá-lo para o lixo ou encostá-lo numa estante? Esse caderno pode perfeitamente ser usado para a mesma disciplina no ano seguinte ou como caderno de resumos/apontamentos/rascunhos. Aliás, se estiverem no secundário e puderem reutilizar os cadernos de uns anos para os outros (ou seja, usar o mesmo caderno de Geografia/Biologia/Economia/FQ/etc durante os 2 anos em que têm a disciplina), até acho que é o ideal. Para as disciplinas trienais acho mais complicado, mas se conseguirem reutilizar, também é uma coisa a pensar. 

Sei que toda a gente gosta de ter os cadernos a cheirar a novo e dos estrear, mas existe tanto desperdício que pode ser perfeitamente ser evitado se, numa disciplina ou outra, alguns cadernos forem reutilizados...

E o mesmo se aplica às canetas, às borrachas, aos lápis de cor, aos marcadores... Para quê comprar canetas novas se as antigas ainda têm tinta e escrevem? Para quê comprar marcadores novos se os antigos ainda pintam? Sei que é fantástico ter material novo, mas porquê gastar dinheiro quando o material antigo ainda está apto para ser usado? 

Uma coisa é comprar por necessidade, porque o caderno antigo acabou e não tem mais espaço, porque os marcadores não têm tinta ou porque o nível de ensino em que estão exige uns de melhor qualidade, outra é comprar apenas pelo prazer de comprar.

 

  • Perceber que materiais foram realmente úteis no ano anterior

Na tarde que tirarem para ver o estado de todo o vosso material, aproveitem para refletir sobre o que compraram e perceber se realmente lhe deram uso ou foi apenas fogo de vista. 

Olhem para aqueles sublinhadores pastéis e vejam quantas vezes os usaram e se eles foram importantes durante o ano. Olhem para aquele caderno de argolas e percebam se conseguiram ser suficientemente cuidadosos para que nenhuma das folhas se soltasse. Olhem para aquele portefólio e percebam se o usavam mesmo para guardar as fichas e os testes ou se tudo acabava por ficar nas capas dos cadernos. Em suma: percebam a importância e utilidade que cada coisas de material que compraram anteriormente tiveram. 

Depois de fazerem este exercício com honestidade (!!!), vão perceber que provavelmente até acabaram por comprar coisas às quais não deram grande uso ou que não funcionaram convosco e com o vosso sistema de organização.

Dou-vos o meu exemplo: há uns anos, comprava sempre, sempre, sempre corretores líquidos e chegava ao final com eles quase cheios porque, como demoravam tanto tempo a secar, preferia mesmo riscar as palavras e escrever a correção ao lado. Mas apesar de perceber que aquilo não funcionava comigo, continuava a comprá-los, até que parei para pensar que aquilo era simplesmente deitar dinheiro fora. E então arranjei uma alternativa: os corretores de fita, que agora não consigo largar por nada deste mundo. Ou um outro exemplo: antigamente, gostava de comprar capas arquivadoras com 50 micas para guardar os testes/fichas (e ainda era coisa para custar uns 5€, mas confesso que já não me recordo). E acabei por perceber que não usava nem perto de metade das micas e aquilo ocupava um bom espaço da minha mochila e que era, por isso, um investimento que não compensava, daí que também tenha deixado de comprar esse tipo de capa e tenha optado por capas com 10 micas (cerca de 1/2€).  Demorou, mas percebi que comprava material que não me era útil e não fazia sentido voltar a comprar. 

 

  • Fazer uma lista

Depois de perceberes que material vais reutilizar e que material não te é útil, está na hora de fazer uma lista que contenha tudo o que pretendes comprar no novo ano. Fá-la de forma consciente, escolhendo apenas e só material que sabes que vais usar MESMO e que te faz falta. Podes aproveitar também para, até antes da lista, definir um orçamento e decidir quanto é que queres gastar em material. 

 

DURANTE AS COMPRAS

  • Optar por marcas brancas em determinados produtos 

Se existem materiais em que considero ser mais vantajoso optar por marcas, noutros casos esse pormenor é indiferente. 

No caso das mochilas, por exemplo, as da Eastpak oferecem uma garantia de 30 anos (não sei, no entanto, se ainda se continua a aplicar esta política), ou seja, qualquer problema que tenham com a mochila – um fecho estragado, a parte interior a desfazer-se, as alças danificadas, ... – pode ser resolvido e a vossa mochila volta a estar como nova. Para que a garantia funcione têm que guardar o talão da compra e os certificados da marca. Se tiverem algum problema com a mochila, basta pegarem nesses documentos e apresentarem-nos na loja em que compraram a mochila e ou o defeito da mesma é reparado ou, caso não tenha reparação, eles devolvem-vos o dinheiro (não sei se será assim em todas as lojas que vendem a marca). Tudo isto para vos dizer que, apesar de serem caras, as mochilas, além de qualidade, têm tudo para vos durarem anos, ou seja, são um investimento excelente. Comprar mochilas de marca branca ou mais frágeis é um risco mais elevado e, provavelmente, ao fim de não muito tempo, acabarão por dar problemas. Não quero dizer que as da Eastpak não têm defeitos, mas, quando é esse o caso, a garantia entra em ação. É um investimento de 40/50€, mas vale a pena, porque, no fundo gastam tanto como gastariam com as de marca branca, já que todos os anos são obrigados a comprar uma nova mochila de 10/15€ porque a anterior se estragou entretanto. 

Percebo que com miúdos mais pequenos isto não seja assim tão preto no branco e quando a minha mãe me comprou a minha primeira mochila da Eastpak no 3º ano não achei piada nenhuma, mas agora percebo o porquê e dou-lhe total razão. 

Na altura, existiam pouquíssimas cores e modelos. Agora, existem modelos, estilos, padrões e cores diversos, apropriados para o gosto de cada um.

Já no caso de corretores (de fita ou líquidos), post-its, cadernos, recargas de folhas, dossiers... é indiferente. Ambas as opções têm qualidade e se optar por marca branca significa poupar uns bons trocos, então que seja. 

 

  • Seguir a lista

Sei que quando entramos num supermercado ou numa papelaria somos bombardeados com quantidades gigantes de material giro, fofo e perfeito para mostrar no Instagram. Mas é importante perceber que o principal objetivo da vossa ida àquela loja é seguir e comprar apenas as coisas que estão na lista que fizeram previamente. Ao seguir a lista, sabem que estão a comprar o que precisam e o que vos faz falta, evitando o desperdício e o gasto desnecessário de dinheiro.

 

  • Aproveitar promoções

Claro que elas também existem, por vezes até em abundância. Analisem os artigos que estão em promoção e percebam se, por exemplo, comparando marcas e lojas, qual é a opção mais vantajosa. Vejam os catálogos das lojas, se possível até antes de se dirigirem às mesmas, e percebam as promoções que cada uma oferece e em que produtos. E, se for esse o caso, optem por comprar alguns produtos na loja X e outros na loja Y, consoante os descontos de cada uma.

 

  • Adaptar o material a cada disciplina

Também é algo em que podem pensar antes da ida às compras, mas talvez até seja mais fácil fazê-lo durante a vossa passagem por lá.

Toda a gente percebe que existem disciplinas em que se escreve mais e outras em que se escreve menos, tanto pelo cariz da mesma como pela carga horária a ela destinada. 

Certo é que muita gente compra cadernos de capa dura com 120 folhas para disciplinas em que usa cerca de 20. É um desperdício e uma escolha pouco sustentável. Por isso, se sabem que escrevem e fazer bastante uso dos cadernos na disciplina A ou B, optem por cadernos maiores para essas disciplinas e, nos casos em que não têm assim tanto que escrever, optem por cadernos mais pequenos e mais baratos. A vossa carteira e as vossas costas agradecem.

 

OUTRAS DICAS

  • Perceber que a funcionalidade nem sempre está na beleza dos materiais

Sei que as marcas criam material escolar giro o suficiente para vos captar a atenção, porém, muitas vezes, esses materiais com padrões e cores lindas não são de qualidade ou úteis. 

 

  • Comprar usado

Esta é uma dica útil para quem vai ter que comprar uma calculadora gráfica. É realmente um investimento muito elevado, portanto comprar usado pode ser uma opção. Na internet e em lojas de usados encontram certamente. Podem também ver se algum familiar tem uma que vos possa emprestar...

 

  • Comprar material na papelaria da escola

Sim, eu sei, parece estranho, mas vão lá ver o que é que eles têm. São capazes de se surpreenderem. E as coisas lá são sempre mais baratas normalmente. 

 

  • Ir comprando material ao longo do ano

Desta forma, em setembro o "tombo" não será tão abrupto, já que de forma faseada foram comprando as coisas.

 

  • Tentar não ser influenciada pela Internet

Setembro é também a altura dos famosos vídeos de Material Escolar e eu sei bem o que é ver esses vídeos e sentir que preciso de ter as coisas iguais à pessoa A ou B. Sei o que é ir a uma loja comprar um produto que vi nesses vídeos e sentir-me contente com isso. E também sei que nunca lhe dei uso. 

Não é porque vocês viram uma youtuber gastar 30€ num pack de 30 canetas de ponta fina que vocês têm de o fazer. Não fiquem chateados com os vossos pais caso eles não vos ofereçam a possibilidade de terem aqueles marcadores pastéis que toda a gente adora ou aquelas canetas metalizadas super giras.

O material escolar não define um ano letivo. Não é por não terem esse material que vão ter más notas, muito pelo contrário. Até porque essa coisa de comprar material giro para ter motivação é, na minha modesta opinião, uma treta. Acredito que no início funcione como um estímulo, mas, em novembro ou no final do 1º Período, quando deixar de ser novidade, o material torna-se totalmente banal. 

Com a exceção do ano passado em que senti necessidade de testar coisas diferentes, nunca tive nada que não fosse material básico e isso não foi motivo para ter más notas, muito pelo contrário. Não são os marcadores pastéis, nem as canetas de ponta fina, nem as brush pens que vos vão fazer ter boas notas. Essas conquistam-se com trabalho, empenho e dedicação, não com material de papelaria. 

 

Post gigante, já sei. Não sou nada pragmática (é capaz de ser um dos meus piores defeitos, admito). 

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Alguns links que podem ser úteis...

 

Até breve! 😊

instagram | twitter | goodreads | mareads21@gmail.com

 

 

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