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literatura, cinema e afins

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Seg | 23.07.18

As leituras obrigatórias vistas por uma estudante do ensino secundário

Mar Pereira

Antes de começar com o assunto que vos trouxe aqui verdadeiramente, quero começar por dizer que, com este post, não pretendo ofender ninguém, tal como pretendo que ninguém me ofenda a mim. Todos somos livres para termos opiniões diferentes (e ainda bem que assim é) e, por isso, tudo o que eu escrever aqui é o reflexo da minha opinião. Só e apenas. Não é um ataque pessoal. Mas uma vez, somos livres para termos as nossas opiniões.

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Muito se voltou a falar e a discutir sobre as leituras obrigatórias (detesto, mas detesto mesmo, este termo) a que os estudantes são sujeitos ao longo dos 12 anos de escolaridade obrigatória (fazendo contas rápidas e simples), sobretudo nas redes sociais. Isto porque, no dia 18 de julho, vários jornais lançaram uma notícia cujo o título era "Os Maias deixam de ser leitura obrigatória no secundário". Os Maias já não são uma leitura obrigatória no secundário há algum tempo. Continua a ser obrigatório dar uma obra de Eça de Queiroz, mas, agora, a escolha da obra fica a cargo dos professores, como, nos anos mais recentes, já acontecia, pois era dada a opção de lecionar Os Maias ou A Ilustre Casa de Ramires. Caso queiram saber mais sobre as recentes alterações feitas ao estudo da obra de Eça, cliquem aqui para aceder a uma notícia do Observador que explica, de forma simples, as referidas mudanças. 

Sou aluna do ensino secundário. Estou prestes a começar o 11º ano. Já tive obras de leitura obrigatória e, agora, eu sei, estão para chegar aquelas que mais dores de cabeça dão aos alunos. Mas medo de ler um livro? Tenho zero disso. 

As opiniões de pessoas que estão agora na faculdade ou no mercado de trabalho e que já acabaram o 12º podem ser algo mais consistente, mas, ainda assim, julguei que seria interessante ver a opinião de alguém que vai, neste verão, ler Os Maias.

Primeiro, vou deixar já claro e evidente o meu ponto de vista: sou totalmente a favor das leituras obrigatórias. Há quem diga que obrigar alguém a ler um livro não traz benefícios aos alunos, os livros obrigatórios são mal escolhidos ou que um adolescente de 16 anos não tem maturidade suficiente para aguentar com Eça, mas discordo totalmente. 

As leituras de livros como Os Maias ou Memorial do Convento têm tanto de obrigatório como a história de Harry Potter tem de verdadeira. Alguém nos vai apontar uma arma à cabeça por não lermos Os Maias? Não. Alguém nos vai torturar se não lermos Memorial do Convento? Não. Lê quem quer. Quem não quer quisesse. Numa turma de 30 alunos, terão, no máximo, 10 a ler esses mesmos livros (a não ser, claro, que a turma seja fora do normal). Depois há quem remende a coisa a ler apenas livros de resumos das obras e outros que se limitam a fazer testes e exames com o conhecimento geral que têm dos livros, porque ouviram isto e aquilo da boca de um ou de outro. Dizer que um aluno não acaba o ensino secundário sem ler Os Maias é simplesmente irrealista. 

O problema reside, na minha opinião, no pensamento das pessoas e não nos livros ou autores escolhidos. As pessoas partem para as leituras obrigatórias com pensamentos formatados de "isto vai ser uma seca, vou odiar isto, a mim ninguém me obriga a fazer nada", pensamentos esses baseados nas experiências pessoais de outrem ou do próprio senso comum criado entre a população portuguesa que tem hábitos de leitura tão mal enraizados, como todos sabemos. Há que encarar os livros como uma experiência, uma oportunidade, porque é exatamente isso que os livros são. Tentem gostar de algo quando dizem a vocês mesmos todos os dias que detestam essa coisa. Não vão conseguir apreciá-la. Aqui acontece o mesmo: de tanto se rodearem de pensamentos pessimistas, os adolescentes não conseguem ver mais nada à sua frente a não ser esse tipo de pensamentos que, aqui, funcionam quase como nevoeiro. Com a exceção de não existir sol à vista que mude esta mentalidade. 

 

As Vantagens das Leituras Obrigatórias (na minha opinião)

 

  • Aumentar o conhecimento

As leituras, em geral, têm este papel: quanto mais lemos, [tecnicamente] mais sabemos. Está provado que, quando lemos, estamos automaticamente a transportar para o cérebro novas informações. Imaginem quantas "novas informações" não enviamos ao cérebro a ler livros como Os Lusíadas, Os Maias ou Memorial do Convento...

 

  • Conhecer os autores mais importantes do país

Vamos ser sinceros, se não fosse obrigatório lecionar uns quantos episódios d'Os Lusíadas quem é que ia ler a obra completa, ou, pelo menos, alguns Cantos? Camões não nadou até terra apenas com uma mão, enquanto, com a outra, tentava salvar o seu manuscrito, para não ser lido. Caso não fosse obrigatório ler Eça ou Saramago quantos de nós pegaríamos nas obras destes autores no futuro? Se não temos contacto com os grandes da nossa literatura na escola, quando teremos?

Quantos de nós não conhecemos alguns dos nossos autores de eleição através das leituras da escola? Eu, pelo menos, descobri – destacaria Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

  • Desenvolver o espírito crítico

Novamente, mais um papel da leitura no geral. A crítica e a opinião surgem quando conseguimos formular conexões que nos levem a uma determinada conclusão, correto? Quanto mais lemos, mais conexões somos capazes de construir e, por isso, mais opiniões formamos. 

É importante relembrar que as obras de que falamos neste post são todas de leitura orientada em sala de aula e, por isso, é natural que, durante alguns momentos, surjam pequenos debates entre a turma, que se discutam pontos de vista. E as leituras obrigatórias são perfeitas para fomentar o espírito crítico dos jovens que parecem ter essa bateria claramente descarregada. Permitem que fiquem a pensar sobre determinados assuntos que, caso não estivessem presentes no livro e não o tivessem de o estudar na escola, passariam completamente ao lado das vidas dos mesmos. 

 

  • Mostrar aos jovens a História de Portugal pela Literatura

Talvez o ponto mais importante e relevante desta lista. O que é que praticamente todos os livros de leitura obrigatória têm em comum? São escritos por autores portugueses que marcaram a época em que viveram e passam-se em Portugal, falam do nosso país, fazem retratos do pensamento e da sociedade portuguesa de vários séculos. Desde que damos Auto da Barca do Inferno até Os Maias que o que temos é a representação do reflexo do que era o nosso país, antes de estarmos aqui. Ler os livros obrigatórios é, de certo modo, conhecer Portugal e os portugueses. 

 

Como disse anteriormente, este verão eu mesma vou ter que ler Os Maias. Toda a gente à minha volta me diz coisas relativamente más e desanimadoras do livro, mas quero-o ler há muito tempo. Ainda assim, precisei de fazer uma lista com algumas coisas para me motivar ainda mais para a leitura do livro. 

 

Motivação Para as Leituras Obrigatórias

 

  • Alguns dos livros atuais têm origem em clássicos

É verdade, alguns dos livros mais lidos dos últimos anos nasceram depois do autor se inspirar em algumas obras mais antigas. Por exemplo, Os Jogos da Fome tiverem como inspiração 1984 (George Orwell). Quem sabe se, ao ler Eça e Saramago, não encontro semelhanças entre estes autores e outros autores nacionais, como Afonso Cruz?

 

  • Podes estar prestes a descobrir o teu próximo autor favorito

Conheço muita gente que ficou fã de Saramago depois de ter lido Memorial do Convento na escola, no 12º ano. Esse livro foi a rampa de lançamento para o mundo que são os livros do Nobel da Literatura. Pode acontecer o mesmo comigo ou contigo. Temos é que dar uma hipótese ao autor e não confiar em tudo o que nos dizem, caindo no pressuposto que aquilo é um livro que nada vai acrescentar à nossa vida.

 

  • Ler um livro é sempre uma aventura

Como já referi, um livro é uma experiência. Boa ou má, cada um decidirá no final. Que mal tem não gostar d'Os Maias? Não é crime. O importante é conseguir extrair dali a qualidade que o livro tem (porque tem, digam o que quiserem) e o que ele nos pode ensinar. Os livros não são Adamastores nem têm tão pouco de ser vistos como tal. O máximo que pode acontecer numa leitura (tanto nas escolares como nas "regulares") é não gostarmos do livro. Ninguém morre por ler um livro, não estamos dentro d'O Nome da Rosa.

 

Já tive alguns amigos a perguntar-me como é que me estou a preparar para a leitura d'Os Maias, porque desde cedo disse que, antes de ler a obra, queria saber mais do que a rodeava. Falei com professores de Português, ou seja, pessoas que sabem do que falam, e também eles me deram dicas que considero interessantes e possivelmente úteis para as leituras obrigatórias que se avizinham. 

 

Dicas Para as Leituras Obrigatórias

 

  • Ler as obras com relativa antecedência

Tenho muita gente a perguntar-me: "Mas por que raio vais tu ler Os Maias no verão? Lê-los nas férias do Natal é suficiente...". Em termos de calendário, talvez. Mas, ler os livros antecipadamente traz várias vantagens. Podem ler o livro à velocidade que pretendem porque não existem prazos estabelecidos para terminar uma determinada leitura, podem ler o livro quando e onde querem, têm tempo para se dedicar inteiramente ao livro, se for necessário, caso não estejam a gostar e, por isso, não estão tão pressionados a ler X páginas para terminar a tempo de um teste.

Tudo bem que no Natal também estamos de férias, mas nessa altura temos sempre trabalhos que os professores gostam de mandar e já se pode pensar em começar a preparar exames nacionais. Para não falar que estas pausas são o melhor que temos para repor energias. 

Além disso, ler o livro com antecedência faz com que, quando o vosso professor mencionar o livro, vocês já tenham a noção do que é que ele está a falar e não se limitam apenas a ouvir palavras soltas que formam frases que não compreendem. Aproveitem as férias do verão, quando tudo está calmo e têm mais que tempo, para ler qualquer que seja o livro obrigatório para o vosso ano de escolaridade. 

 

  • Pesquisar mais sobre a vida e obra do autor

Perceber em que parte da vida do autor é que uma determinada obra se insere pode ser fundamental para compreender a mesma. Embora exista muita gente que defenda o contrário, acredito que os escritores escrevem sobretudo sobre realidades que conhecem ou que, pelo menos, lhes são próximas. Por exemplo, quando falamos de Eça temos obrigatoriamente de falar de polémica. Os Maias falam de incesto, O Crime do Padre Amaro de desrespeito ao celibato e O Primo Basílio de adultério. Em todas as obras são questionadas certas moralidades e ideias da época que Eça viveu. Para outros autores, exemplos parecidos aparecerão.

 

  • Pesquisar sobre o contexto histórico em que a obra se insere

Tal como a pesquisa sobre a vida e obra do autor, este é outro ponto fundamental para compreender o livro que estamos a ler (já que se tratam sempre de clássicos). Percebo que nem toda a gente se interesse por História, mas ler a Lisboa presente n'Os Maias a achar que é a Lisboa atual, com mulheres a andar de calças e homens de telemóvel na mão, com televisões e ecrãs gigantes para a população ver futebol é um erro frequentemente cometido. Os livros não andam a navegar pelo Espaço. Têm localizações e tempo próprios. Por exemplo, Os Maias desenrola-se no séc. XIX, no apogeu da industrialização europeia e afirmação das potências europeias, quando Portugal atravessava um período bastante conturbado. Portanto, a história que Eça criou não cai do céu como a chuva. Contextualizar um livro é meio caminho andado para o compreender.

 

  • Começa por tentar ler o livro por divertimento e vontade própria

Esta é a chave que combina com a fechadura "lê o livro com antecedência". Começar a leitura a espalhar pela mente o pensamento "isto é uma leitura obrigatória e por isso vou odiar" sem sequer ter lido uma página não vai abonar nada a favor de quem quer chegar ao final do livro. Novamente, o importante é encarar os livros como uma coisa normal que nada de mal nos fazem. No máximo, podem só diminuir a nossa ignorância em alguns assuntos.

 

  • Lê as obras obrigatórias em conjunto com os teus amigos 

Leituras conjuntas são excelentes para enriquecer ainda mais o ato de abrir um livro e ler as palavras que o autor nele depositou. São um modo de expormos pontos de vista, curiosidades que tenhamos detetado, opiniões e até mesmo dúvidas. Tudo isto só enriquecerá o conhecimento que temos da obra X ou Y. Além disso, é uma maneira de não nos sentirmos sozinhos no longo percurso que vamos ter com aquele livro e também uma forma de ligarmos boas memórias ao mesmo.

 

  • Impor metas

Queres avançar numa leitura e não sabes como? Impõe metas. 1 capítulo por dia, X páginas por dia ou até mesmo Y capítulos/páginas por semana. Sabem aqueles desafios que colocam a vocês mesmo do género "vou chegar àquele ponto antes da música terminar"? É algo parecido. Marquem metas para atingir e façam de tudo para as conseguir alcançar. 

 

  • Fazer listas ou cronologias de modo a tornar a leitura mais fácil

Todos sabemos que é relativamente fácil perdemo-nos num livro denso e, por isso, organização tem de ser a palavra chave das nossas leituras. Se o livro tem muitas personagens, escreve-as todas numa folha e, sempre que, ao longo do livro, seja introduzida uma nova personagem, atualiza essa mesma lista. E porque não fazer uma pequena descrição das personagens principais?

Também é relativamente fácil ficarmos perdidos no tempo, por isso, caso o livro forneça esse tipo de dados, organizar os acontecimentos cronologicamente pode ser um bom método para não perderem a noção do tempo.

 

  • Criar um diário de leitura

Não seria boa ideia teres um local onde vais guardando as tuas opiniões de todas as partes que vais lendo de um determinado livro? Por exemplo, hoje leste 3 capítulos do livro A e gostaste particularmente de 2 citações, quando acabares a leitura, ou no dia seguinte, seria interessante deixares a data da leitura e uma breve opinião fundamentada do que leste (p.e.: gostei, porque houve mais diálogo, a história focou-se mais nas personagens secundárias, etc). Literalmente documentar toda a experiência que estás a ter/tiveste num caderno [ou coisa do género], acabando por transcrever para lá as citações que mais gostaste. 

No final, vai ser engraçado reviveres todos os momentos que tiveste ao ler aquele livro e, quando chegar a altura de o analisar em aula ou estudar para os exames, tens os teus próprios pontos de vista anotados. 

 

  • Livros de resumos e adaptações cinematográficas e/ou televisivas? Sim, mas nunca como substituo à leitura da obra original

Utilizar livros de resumos e explicações que exploram capítulo por capítulo e parte por parte os livros, como é o caso das edições Apontamentos Europa-América Explicam... ou alguns livros da Porto Editora, pode ser uma estratégia de mestre no que toca à compreensão da obra X ou Y. No mundo ideal, as pessoas deveriam ler os livros antes deles serem abordados em pormenor nas aulas, correto? Ou seja, a leitura começa por ser quase autónoma. Um bom método para tornar as leituras mais simples seria, por exemplo, lermos um capítulo d'Os Maias e, depois, ler o pequeno resumo e análise que os livros de explicações oferecem. Era da maneira que podíamos esclarecer possíveis dúvidas e desfazer certos nós no cérebro. 

Quanto aos filmes e/ou séries que possam, eventualmente, existir e estar ao vosso dispor podem, também eles, funcionar como aliados. É importante perceber que a adaptação de um livro para o grande ou pequeno ecrã incluiu sempre alterações e mudanças e que, por isso, nem tudo o que vemos pode estar fiel ao livro. E, com certeza, algumas partes presentes na obra literária devem ter sido retiradas na adaptação. Os filmes (ou as séries) podem funcionar como um empurrãozinho, quase como um estimulo, para ficarem com mais interesse em ler as obras. Podem ajudar-vos a formar uma imagem mais real das personagens na vossa cabeça e também um decorrer da ação mais visual. 

No entanto, substituir a leitura das obras obrigatórias pela leitura do livro de resumos ou pela visualização do filme está errado. Perdem mais a fazê-lo do que ganham. São dos meios que podem ajudar e facilitar as leituras obrigatórias, mas não devem ser vistos como equivalentes à experiência que o livro traz. 

 

Mas, nem tudo está bem na seleção das leituras obrigatórias... 

E é impossível fazer de conta que está. Concordo com quem diz que talvez o leque de escolha pudesse, talvez, ser ligeiramente alterado/alargado. Em vez de estudarmos apenas os autores clássicos, a introdução de alguns autores contemporâneos, como valter hugo mãe ou Mário de Carvalho, podia ser uma ideia a pensar. Era uma forma de abranger ainda mais géneros literários, tipos de escrita, mentalidades e histórias. Mas, ainda assim, teria de ser literatura do mais alto nível. Se não temos contacto com estes nomes tão importantes da nossa literatura enquanto estudamos quando teremos? Saramago e Eça são "obrigatórios" porque, caso não fossem, metade da população não conhecia 2 dos maiores génios da literatura portuguesa. 

Quando digo que talvez fosse uma ideia a pensar, esta de introduzir outros autores com um outro tipo de histórias aos jovens, não estou, de todo, a dizer que, por exemplo, se deva tornar um livro como O Coração de Simon Contra o Mundo uma leitura obrigatória. É uma boa sugestão de leitura para os jovens, mas será que dá para analisar um livro como esse da mesma maneira que dá para analisar um livro como o Memorial do Convento? Será que têm níveis de qualidade parecidos ou equivalentes? Claro que não. Podemos até gostar mais do livro da Becky Albertalli, mas não podemos dizer que, a nível de qualidade literária, esse livro ultrapassa Saramago. 

Por exemplo, eu li A Metamorfose (Franz Kafka) e não gostei. Ainda assim, sei reconhecer que é uma obra excecional. Quem sou eu para questionar a qualidade daquela obra? Acham que os livros chegam até nós, tantos séculos depois, só porque sim? Claro que não. As obras marcaram uma época, um modo de pensar, um modo de viver, um movimento e um género literário. Mais de 80% do que vemos de novidades nas livrarias atualmente cairá no esquecimento daqui a uns anos. Se as obras e os autores perduraram tanto tempo não se deve ao mero acaso da Terra ser redonda. 

Tento compreender quem diz que uma pessoa de 16 anos não tem maturidade suficiente para aguentar com um livro como Os Maias, mas, um adolescente perto de chegar à maioridade é uma criança? Os adolescentes (dramáticos como são) fazem questão de hiperbolizar sempre os seus problemas e de ser ver como uns autênticos adultos maturos. Mas depois para ler um livro têm se ser tratados como crianças? 

As leituras obrigatórias não são o fim do mundo. Ninguém morre por ler um livro de 700 páginas. Pode não gostar do que leu, está no seu direito e o que seria do amarelo se toda a gente gostasse de cor-de-rosa, certo? Agora, criar um drama enorme à volta de um livro não se justifica, de maneira alguma. As leituras obrigatórias são boas, sim. Dão-nos a descobrir o melhor que a nossa literatura tem para dar, oferecem-nos arcaboiço cultural e intelectual e são a melhor maneira para conhecermos mais do nosso país. 

Talvez fosse melhor existirem autores obrigatórios e não obras obrigatórias, mas, se repararmos, é mais ou menos o que acontece neste momento. É obrigatório dar Eça, não é obrigatório dar Os Maias. É obrigatório dar Saramago, não é obrigatório dar Memorial do Convento (a partir de 2019/2020 o professor pode escolher entre dar o Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis). E, além disso, se estamos a falar de língua portuguesa, porque todas estas obras são lecionadas na disciplina de Português, porque não dar também alguns autores angolanos, moçambicanos ou brasileiros? Seria interessante.

Não gostaram de um livro que leram na escola? Sigam para outro. Há mercado para todos os gostos e não é porque não gostaram de ler Os Maias aos 16 anos que se justifica o facto de não lerem na idade adulta. Querem sugestões? Peçam-nas, há muita gente disposta a dá-las. Não parem de ler porque, uma vez na adolescência, leram um livro na escola que não vos disse nada.

 

Volto a reforçar a ideia de que este post não pretende ofender ninguém, estou apenas a partilhar a minha opinião, assim como vocês o podem fazer nos comentários.

 

Fontes de pesquisa: UnJaded Jade | Guia do EstudantePorto Editora | Expresso

 

 Até breve! 😊

 

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