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leio, por isso penso, logo existo.

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Qua | 07.08.19

3 coisas que aprendi no último ano letivo

Mar Pereira

A escola, além de nos ensinar uma quantidade generosa de matéria e factos úteis (é questionável...), conseguiu sempre ensinar-me muito mais do que isso. 

Acabei de terminar o 11º ano, estou prestes a ingressar no 12º ano, o último do ensino obrigatório (ainda é surreal dizer isto, parece que ainda ontem estava a entrar para o 1º ano). O 11º é apelidado por muitos como o pior ano do secundário e, apesar de ainda não estar capacitada para concordar com esse apelido, senti que foi um ano muito exigente, a todos os níveis. 

Os horários eram muito apertados, o tempo livre muito pouco, a matéria complexa, a carga de trabalho gigante, as datas de avaliações todas encavalitadas. Enfim, foi um ano de muito, muito, muito trabalho e não foi fácil conseguir gerir tudo. Foi um ano em que me senti extremamente frustrada, porque trabalhava muito e não via resultados, aliás, vi as minhas notas descer a pique em certo ponto. Isso fez-me sentir mal, ao ponto de ter de pedir ajuda profissional para lidar com o problema. Os níveis de stress e ansiedade que tinha eram absurdos. Hoje em dia, depois de ter refletido muito sobres os problemas e mudado radicalmente de mindset, percebo que tudo aquilo foi idiota da minha parte, estava a dar o meu melhor e mais do que isso não podia dar. Em fevereiro, cheguei a desabafar aqui o quão difícil estava a ser a minha viagem na tentativa de lidar com o insucesso ou com objetivos que não foram alcançados. Tudo acabou por melhorar e acabei o ano com uma média estupidamente boa (19,5 valores, que acabou por baixar por 19,33 por causa dos exames).

Também a nível pessoal este ano foi desafiante. Sei que muita gente tem memórias de ter uma turma unida no secundário, mas eu não tive essa sorte. Como dos 31 (ou 32?, já nem sei) alunos da minha turma acabava por ser a que se destacava mais pelos resultados académicos, tive alguns colegas a tecer comentários depreciativos e incomodativos, que nem sempre foram fáceis de lidar com. De "ela só tem as notas que tem porque os professores gostam dela" a "ela só teve 19,4? Vamos festejar que não teve 20!"... e mais uns quantos de que não me recordo ou que são maus o suficiente para não os partilhar com mais ninguém. Certo é que, inicialmente, esse tipo de comentários me passavam ao lado, mas, depois de tanto ouvir, começou-me a "saltar a tampa" e nem sempre o cenário foi o melhor. 

Em suma: o ano letivo 2018/2019 foi atribulado, mas foi um ano em que aprendi muito, sobre mim, sobre os outros e sobre como lidar como lidar com os dois. 

Eis algumas coisas que aprendi no último ano letivo:

 

  • Os amigos são escassos

Mais pura e triste das verdades. Temos muitos colegas, pessoas com quem falamos e nos damos bem, mas amigos, pessoas que estão lá para nós sempre e que gostam verdadeiramente de nós, não existem em tanta abundância. Simplesmente existem pessoas que fazem parte de determinada fase da nossa vida, de quem gostamos, a quem desejamos o melhor, mas não farão parte da próxima fase. Quando esta fase acabar, "adeus, felicidades e tudo de bom". Não são amigos. Aprendi isto da pior maneira.

 

  • Difícil não é sinónimo de impossível

Como vos contei acima, o 11º ano foi realmente um ano muito duro a nível de conteúdos. Era difícil chegar a notas altas, era necessário mesmo muito trabalho e empenho. Se me dissessem em janeiro/fevereiro que ia acabar com uma média quase meio valor acima da média do 10º ano, pensaria que estavam a brincar com a minha cara. Mas aconteceu mesmo. Com trabalho, esforço e empenho, consegui. É difícil, mas não é impossível. 

 

  • As notas não são tudo

Já sei que são as médias e as notas dos exames que determinam a entrada no curso A ou B, na Universidade X ou Y, mas as notas NÃO são tudo. Quando digo isto aos meus colegas, normalmente a resposta é "dizes isso porque tens as notas que tens". E não é verdade, muito longe disso. Digo isto porque consegui aprender que as notas não são tudo (a muito custo, é certo, mas consegui!). Tal como vos dei a conhecer acima, tive alturas este ano em que ficava a remoer na cabeça sobre uma nota qualquer, em que um 19 não me satisfazia e que, no próximo teste, ia fazer de tudo para subir e tirar uma nota mais alta. Enfim, tornei-me numa perfeccionista de primeira categoria, ao ponto de não ficar satisfeita com um 20 (mas para onde ia subir? Pois, também não sei.). Para chegar à nota mais alta, fazia trinta por uma linha, ignorando muitas vezes que esse esforço, além de desnecessário, diga-se, não era benéfico para mim. 

Já na altura dos exames (junho), a minha mentalidade era completamente diferente. Preparei-me, estudei e fiz o que tinha de fazer: dei o meu melhor. Quando entrei para a sala para fazer os exames, estava calma (ok, um bocadinho nervosa, mas isso é normal). Aliás, estava tranquila comigo mesma. Tinha noção que a minha parte tinha sido feita e mais do que o que fiz não podia ter feito. Se o exame corresse bem, ótimo. Se não, paciência, nem sempre as coisas correm bem e podia sempre usar a 2ª fase para melhorar, mas não me ia sentir triste ou desanimada comigo mesma por causa disso, porque sabia que tinha feito o que podia. Aliás, acabei por descer a média em interna numa disciplina, e aceitei aquilo com naturalidade. Estava orgulhosa do meu trabalho e isso bastava-me.

As notas são importantes, sim, mas não há nota que pague a vossa saúde física e mental. A vossa saúde tem sempre, SEMPRE, que estar em primeiro lugar. As notas não são tudo, há mais para além disso. É importante criar uma rotina saudável, que vos permita ter boas notas, mas que não vos leve a esgotamentos e/ou ataques de ansiedade. Peçam ajuda, cuidem de vocês. 

 

E acho que foi mais ou menos isto. 

Se, ao contrário de mim, não ficaram felizes com o decorrer deste ano, pensem no que é que pode ser melhorado, mas não se matem com isso. Continuem a trabalhar, a empenhar-se e a dar o vosso melhor. Isso é suficiente, acreditem. YOU GOT THIS!

 

Alguns links que podem ser úteis...

 

Até breve! 😊

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