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leio, por isso penso, logo existo.

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Seg | 26.08.19

"Madame Bovary", de Gustave Flaubert: uma reflexão

Mar Pereira

Madame Bovary foi originalmente publicado em 1856 e desde cedo causou polémica, colocando no banco dos réus o seu editor, o responsável pela gráfica que imprimiu o livro e, claro, o seu autor, Gustave Flaubert (1821-1880), sendo ele um dos mais importantes nomes da literatura francesa.

O seu livro mais conhecido é Madame Bovary, que, desde cedo, foi um autêntico best-seller. O clássico francês, depois acusado de ser um atentado aos valores morais e religiosos, tornou-se prioritário na lista de leitura dos franceses: o que teria afinal o livro de tão polémico assim para ser levado a tribunal?

Certo é que, como me disse uma professora de Português há uns anos, e tal como diz a Isabella, “se um livro foi alguma vez censurado ou alguém tentou impedir a sua publicação, então esse é um livro que vale a pena ser lido.”

A história de Madame Bovary começa com uma menina simples, Ema, que, ao longo do livro, se demonstra uma personagem sonhadora, ambiciosa e vil. Ema é casada com Charles, têm uma vida estável, com uma pequena filha, Berta. O problema é que essa estabilidade não satisfaz Ema, que procura um outro tipo de vida. Leitora ávida de romances melosos, Ema sonha ter uma vida como aquelas que encontra nos romances que lê. Procura uma vida ideal, a felicidade absoluta, não conseguindo distinguir aquilo que é possível de ser alcançado daquilo que é apenas utópico. Ema luta e busca por essa felicidade que tanto idealiza e, vendo que o marido não lhe oferece a vida que se acostumou a ler nos seus adorados romances, enverga pelo caminho do adultério.  Esta cegueira que os romances cor-de-rosa trouxeram a Ema valem-lhe várias comparações a um célebre velhote que, de tanto ler romances de cavalaria, enlouqueceu e decidiu lutar contra moinhos: Dom Quixote.

Ora, não é de espantar que este livro tenha causado polémica. Numa época em que as mulheres são vistas como seres submissos e subordinados, surgir uma personagem feminina com desejo sexual, com ambições e aspirações na vida, só poderia causar controvérsia. Daí que Ema Bovary seja considerada uma das mais importantes e brilhantes personagens da literatura alguma vez criadas e Madame Bovary seja citado em todas as listas de “100 livros a ler antes de morrer”. É importante também referir que, quanto à corrente literária, apesar de ser considero por muitos como o primeiro romance realista da História, o seu autor defendia avidamente que este era um livro da corrente romântica. Talvez o mais correto seja dizer que o livro atravessa ambas as correntes, muitas vezes através das personagens, mas são os traços do realismo que também lhe do força para permanecer nessas listagens de "livros a ler antes de morrer".

Se quiserem levar esta história para um caminho mais filosófico, não seremos todos nós a Ema Bovary? Aliás, aquando do julgamento, quando questionaram Flaubert sobre quem era Madame Bovary, julgando que se tratava de uma pessoa real e que a história retratada era verídica, o próprio respondeu “a Madame Bovary sou eu”. E não seremos todos nós, também? Será que não vivemos apenas no propósito de atingir uma plenitude, uma felicidade absoluta, e não nos apercebemos que tal não existe? Ema era iludida pelos romances cor-de-rosa que li, nós, hoje em dia, temos pessoas que nos vendem as suas vidas como perfeitas – estão sempre felizes, sempre a sorrir, sempre a viajar, sempre a dizer que está tudo bem – e nós acreditamos nisso, acreditamos que está sempre tudo bem, que aquelas pessoas nunca têm dias tristes ou dias sem magnificência. E dizemos “quem me dera ter aquela vida.”. Portanto, repito a questão: não seremos todos nós a Ema, não estaremos todos nós à busca da utopia?

 

Até breve! 😊

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Dom | 18.08.19

Como Poupar Dinheiro em Material Escolar

Mar Pereira

Falta um mês para o início do ano escolar 2019/2020, já começaram as campanhas de regresso às aulas e, em agosto, várias pessoas começam a procurar comprar os materiais necessários para a escola, de cadernos, a lápis, canetas, mochilas, etc (podíamos estar aqui meio ano a elencar material escolar). A juntar às despesas em material escolas temos também possíveis despesas com manuais (com a plataforma MEGA essa já não é uma dor de cabeça para muita gente), o que, tudo somado, poderá ser equivalente a um grande desfalque financeiro nas contas de muitas famílias. 

Por experiência própria (e agora que vou para o 12º noto isso mais do que nunca), penso que os anos da primária (1º até ao 4º ano) e do básico (do 5º até ao 9º ano), mas sobretudo no básico, são os anos em que mais material é necessário, tanto em quantidade como em diversidade, já que, por um lado, há uma grande quantidade de disciplinas e, por outro, uma grande diversidade entre elas (Educação Musical, Educação Visual ou Artes Plásticas, Matemática e por aí fora).

A quantidade de material que comprava no básico não se compara, de forma nenhuma, à quantidade de material que compro para o secundário. No básico, precisava de lápis de cor, lápis de cera, marcadores, guaches, pincéis, mil e um cadernos, trezentas qualidades diferentes de lápis... A conta era sempre choruda no final.

Já no secundário, excetuando alguns cursos (como Artes), já não existe tanta necessidade de compra. Porém, também poderão ter que ser feitos investimentos generosos, por exemplo, em calculadoras gráficas, para Matemática A ou para MACS (suponho que também seja precisa em Matemática B), que custam sempre para cima de 100€. Tirando isso, o material que tive de comprar foi sempre básico e nunca gastei mais de 15/20€.

 

ANTES DA IDA ÀS COMPRAS

  • Avaliar o estado do material do ano transato (e até de outros anos)

Tirem uma tarde para pegar em tudo, tudo mesmo!, o que usaram no ano passado a nível de material escolar. As canetas, os lápis, as borrachas, as afias/aguças/apara-lápis, os cadernos... TUDO. Depois, avaliem o estado das coisas. Maior parte dos produtos podem ainda estar em perfeitas condições para serem reutilizados no ano seguinte. 

Por exemplo, vamos supor que usaram cerca de 30/40 folhas de um caderno com 80, ou seja, que usaram apenas metade do caderno. Será que vale mesmo a pena mandá-lo para o lixo ou encostá-lo numa estante? Esse caderno pode perfeitamente ser usado para a mesma disciplina no ano seguinte ou como caderno de resumos/apontamentos/rascunhos. Aliás, se estiverem no secundário e puderem reutilizar os cadernos de uns anos para os outros (ou seja, usar o mesmo caderno de Geografia/Biologia/Economia/FQ/etc durante os 2 anos em que têm a disciplina), até acho que é o ideal. Para as disciplinas trienais acho mais complicado, mas se conseguirem reutilizar, também é uma coisa a pensar. 

Sei que toda a gente gosta de ter os cadernos a cheirar a novo e dos estrear, mas existe tanto desperdício que pode ser perfeitamente ser evitado se, numa disciplina ou outra, alguns cadernos forem reutilizados...

E o mesmo se aplica às canetas, às borrachas, aos lápis de cor, aos marcadores... Para quê comprar canetas novas se as antigas ainda têm tinta e escrevem? Para quê comprar marcadores novos se os antigos ainda pintam? Sei que é fantástico ter material novo, mas porquê gastar dinheiro quando o material antigo ainda está apto para ser usado? 

Uma coisa é comprar por necessidade, porque o caderno antigo acabou e não tem mais espaço, porque os marcadores não têm tinta ou porque o nível de ensino em que estão exige uns de melhor qualidade, outra é comprar apenas pelo prazer de comprar.

 

  • Perceber que materiais foram realmente úteis no ano anterior

Na tarde que tirarem para ver o estado de todo o vosso material, aproveitem para refletir sobre o que compraram e perceber se realmente lhe deram uso ou foi apenas fogo de vista. 

Olhem para aqueles sublinhadores pastéis e vejam quantas vezes os usaram e se eles foram importantes durante o ano. Olhem para aquele caderno de argolas e percebam se conseguiram ser suficientemente cuidadosos para que nenhuma das folhas se soltasse. Olhem para aquele portefólio e percebam se o usavam mesmo para guardar as fichas e os testes ou se tudo acabava por ficar nas capas dos cadernos. Em suma: percebam a importância e utilidade que cada coisas de material que compraram anteriormente tiveram. 

Depois de fazerem este exercício com honestidade (!!!), vão perceber que provavelmente até acabaram por comprar coisas às quais não deram grande uso ou que não funcionaram convosco e com o vosso sistema de organização.

Dou-vos o meu exemplo: há uns anos, comprava sempre, sempre, sempre corretores líquidos e chegava ao final com eles quase cheios porque, como demoravam tanto tempo a secar, preferia mesmo riscar as palavras e escrever a correção ao lado. Mas apesar de perceber que aquilo não funcionava comigo, continuava a comprá-los, até que parei para pensar que aquilo era simplesmente deitar dinheiro fora. E então arranjei uma alternativa: os corretores de fita, que agora não consigo largar por nada deste mundo. Ou um outro exemplo: antigamente, gostava de comprar capas arquivadoras com 50 micas para guardar os testes/fichas (e ainda era coisa para custar uns 5€, mas confesso que já não me recordo). E acabei por perceber que não usava nem perto de metade das micas e aquilo ocupava um bom espaço da minha mochila e que era, por isso, um investimento que não compensava, daí que também tenha deixado de comprar esse tipo de capa e tenha optado por capas com 10 micas (cerca de 1/2€).  Demorou, mas percebi que comprava material que não me era útil e não fazia sentido voltar a comprar. 

 

  • Fazer uma lista

Depois de perceberes que material vais reutilizar e que material não te é útil, está na hora de fazer uma lista que contenha tudo o que pretendes comprar no novo ano. Fá-la de forma consciente, escolhendo apenas e só material que sabes que vais usar MESMO e que te faz falta. Podes aproveitar também para, até antes da lista, definir um orçamento e decidir quanto é que queres gastar em material. 

 

DURANTE AS COMPRAS

  • Optar por marcas brancas em determinados produtos 

Se existem materiais em que considero ser mais vantajoso optar por marcas, noutros casos esse pormenor é indiferente. 

No caso das mochilas, por exemplo, as da Eastpak oferecem uma garantia de 30 anos (não sei, no entanto, se ainda se continua a aplicar esta política), ou seja, qualquer problema que tenham com a mochila – um fecho estragado, a parte interior a desfazer-se, as alças danificadas, ... – pode ser resolvido e a vossa mochila volta a estar como nova. Para que a garantia funcione têm que guardar o talão da compra e os certificados da marca. Se tiverem algum problema com a mochila, basta pegarem nesses documentos e apresentarem-nos na loja em que compraram a mochila e ou o defeito da mesma é reparado ou, caso não tenha reparação, eles devolvem-vos o dinheiro (não sei se será assim em todas as lojas que vendem a marca). Tudo isto para vos dizer que, apesar de serem caras, as mochilas, além de qualidade, têm tudo para vos durarem anos, ou seja, são um investimento excelente. Comprar mochilas de marca branca ou mais frágeis é um risco mais elevado e, provavelmente, ao fim de não muito tempo, acabarão por dar problemas. Não quero dizer que as da Eastpak não têm defeitos, mas, quando é esse o caso, a garantia entra em ação. É um investimento de 40/50€, mas vale a pena, porque, no fundo gastam tanto como gastariam com as de marca branca, já que todos os anos são obrigados a comprar uma nova mochila de 10/15€ porque a anterior se estragou entretanto. 

Percebo que com miúdos mais pequenos isto não seja assim tão preto no branco e quando a minha mãe me comprou a minha primeira mochila da Eastpak no 3º ano não achei piada nenhuma, mas agora percebo o porquê e dou-lhe total razão. 

Na altura, existiam pouquíssimas cores e modelos. Agora, existem modelos, estilos, padrões e cores diversos, apropriados para o gosto de cada um.

Já no caso de corretores (de fita ou líquidos), post-its, cadernos, recargas de folhas, dossiers... é indiferente. Ambas as opções têm qualidade e se optar por marca branca significa poupar uns bons trocos, então que seja. 

 

  • Seguir a lista

Sei que quando entramos num supermercado ou numa papelaria somos bombardeados com quantidades gigantes de material giro, fofo e perfeito para mostrar no Instagram. Mas é importante perceber que o principal objetivo da vossa ida àquela loja é seguir e comprar apenas as coisas que estão na lista que fizeram previamente. Ao seguir a lista, sabem que estão a comprar o que precisam e o que vos faz falta, evitando o desperdício e o gasto desnecessário de dinheiro.

 

  • Aproveitar promoções

Claro que elas também existem, por vezes até em abundância. Analisem os artigos que estão em promoção e percebam se, por exemplo, comparando marcas e lojas, qual é a opção mais vantajosa. Vejam os catálogos das lojas, se possível até antes de se dirigirem às mesmas, e percebam as promoções que cada uma oferece e em que produtos. E, se for esse o caso, optem por comprar alguns produtos na loja X e outros na loja Y, consoante os descontos de cada uma.

 

  • Adaptar o material a cada disciplina

Também é algo em que podem pensar antes da ida às compras, mas talvez até seja mais fácil fazê-lo durante a vossa passagem por lá.

Toda a gente percebe que existem disciplinas em que se escreve mais e outras em que se escreve menos, tanto pelo cariz da mesma como pela carga horária a ela destinada. 

Certo é que muita gente compra cadernos de capa dura com 120 folhas para disciplinas em que usa cerca de 20. É um desperdício e uma escolha pouco sustentável. Por isso, se sabem que escrevem e fazer bastante uso dos cadernos na disciplina A ou B, optem por cadernos maiores para essas disciplinas e, nos casos em que não têm assim tanto que escrever, optem por cadernos mais pequenos e mais baratos. A vossa carteira e as vossas costas agradecem.

 

OUTRAS DICAS

  • Perceber que a funcionalidade nem sempre está na beleza dos materiais

Sei que as marcas criam material escolar giro o suficiente para vos captar a atenção, porém, muitas vezes, esses materiais com padrões e cores lindas não são de qualidade ou úteis. 

 

  • Comprar usado

Esta é uma dica útil para quem vai ter que comprar uma calculadora gráfica. É realmente um investimento muito elevado, portanto comprar usado pode ser uma opção. Na internet e em lojas de usados encontram certamente. Podem também ver se algum familiar tem uma que vos possa emprestar...

 

  • Comprar material na papelaria da escola

Sim, eu sei, parece estranho, mas vão lá ver o que é que eles têm. São capazes de se surpreenderem. E as coisas lá são sempre mais baratas normalmente. 

 

  • Ir comprando material ao longo do ano

Desta forma, em setembro o "tombo" não será tão abrupto, já que de forma faseada foram comprando as coisas.

 

  • Tentar não ser influenciada pela Internet

Setembro é também a altura dos famosos vídeos de Material Escolar e eu sei bem o que é ver esses vídeos e sentir que preciso de ter as coisas iguais à pessoa A ou B. Sei o que é ir a uma loja comprar um produto que vi nesses vídeos e sentir-me contente com isso. E também sei que nunca lhe dei uso. 

Não é porque vocês viram uma youtuber gastar 30€ num pack de 30 canetas de ponta fina que vocês têm de o fazer. Não fiquem chateados com os vossos pais caso eles não vos ofereçam a possibilidade de terem aqueles marcadores pastéis que toda a gente adora ou aquelas canetas metalizadas super giras.

O material escolar não define um ano letivo. Não é por não terem esse material que vão ter más notas, muito pelo contrário. Até porque essa coisa de comprar material giro para ter motivação é, na minha modesta opinião, uma treta. Acredito que no início funcione como um estímulo, mas, em novembro ou no final do 1º Período, quando deixar de ser novidade, o material torna-se totalmente banal. 

Com a exceção do ano passado em que senti necessidade de testar coisas diferentes, nunca tive nada que não fosse material básico e isso não foi motivo para ter más notas, muito pelo contrário. Não são os marcadores pastéis, nem as canetas de ponta fina, nem as brush pens que vos vão fazer ter boas notas. Essas conquistam-se com trabalho, empenho e dedicação, não com material de papelaria. 

 

Post gigante, já sei. Não sou nada pragmática (é capaz de ser um dos meus piores defeitos, admito). 

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Qua | 07.08.19

3 coisas que aprendi no último ano letivo

Mar Pereira

A escola, além de nos ensinar uma quantidade generosa de matéria e factos úteis (é questionável...), conseguiu sempre ensinar-me muito mais do que isso. 

Acabei de terminar o 11º ano, estou prestes a ingressar no 12º ano, o último do ensino obrigatório (ainda é surreal dizer isto, parece que ainda ontem estava a entrar para o 1º ano). O 11º é apelidado por muitos como o pior ano do secundário e, apesar de ainda não estar capacitada para concordar com esse apelido, senti que foi um ano muito exigente, a todos os níveis. 

Os horários eram muito apertados, o tempo livre muito pouco, a matéria complexa, a carga de trabalho gigante, as datas de avaliações todas encavalitadas. Enfim, foi um ano de muito, muito, muito trabalho e não foi fácil conseguir gerir tudo. Foi um ano em que me senti extremamente frustrada, porque trabalhava muito e não via resultados, aliás, vi as minhas notas descer a pique em certo ponto. Isso fez-me sentir mal, ao ponto de ter de pedir ajuda profissional para lidar com o problema. Os níveis de stress e ansiedade que tinha eram absurdos. Hoje em dia, depois de ter refletido muito sobres os problemas e mudado radicalmente de mindset, percebo que tudo aquilo foi idiota da minha parte, estava a dar o meu melhor e mais do que isso não podia dar. Em fevereiro, cheguei a desabafar aqui o quão difícil estava a ser a minha viagem na tentativa de lidar com o insucesso ou com objetivos que não foram alcançados. Tudo acabou por melhorar e acabei o ano com uma média estupidamente boa (19,5 valores, que acabou por baixar por 19,33 por causa dos exames).

Também a nível pessoal este ano foi desafiante. Sei que muita gente tem memórias de ter uma turma unida no secundário, mas eu não tive essa sorte. Como dos 31 (ou 32?, já nem sei) alunos da minha turma acabava por ser a que se destacava mais pelos resultados académicos, tive alguns colegas a tecer comentários depreciativos e incomodativos, que nem sempre foram fáceis de lidar com. De "ela só tem as notas que tem porque os professores gostam dela" a "ela só teve 19,4? Vamos festejar que não teve 20!"... e mais uns quantos de que não me recordo ou que são maus o suficiente para não os partilhar com mais ninguém. Certo é que, inicialmente, esse tipo de comentários me passavam ao lado, mas, depois de tanto ouvir, começou-me a "saltar a tampa" e nem sempre o cenário foi o melhor. 

Em suma: o ano letivo 2018/2019 foi atribulado, mas foi um ano em que aprendi muito, sobre mim, sobre os outros e sobre como lidar como lidar com os dois. 

Eis algumas coisas que aprendi no último ano letivo:

 

  • Os amigos são escassos

Mais pura e triste das verdades. Temos muitos colegas, pessoas com quem falamos e nos damos bem, mas amigos, pessoas que estão lá para nós sempre e que gostam verdadeiramente de nós, não existem em tanta abundância. Simplesmente existem pessoas que fazem parte de determinada fase da nossa vida, de quem gostamos, a quem desejamos o melhor, mas não farão parte da próxima fase. Quando esta fase acabar, "adeus, felicidades e tudo de bom". Não são amigos. Aprendi isto da pior maneira.

 

  • Difícil não é sinónimo de impossível

Como vos contei acima, o 11º ano foi realmente um ano muito duro a nível de conteúdos. Era difícil chegar a notas altas, era necessário mesmo muito trabalho e empenho. Se me dissessem em janeiro/fevereiro que ia acabar com uma média quase meio valor acima da média do 10º ano, pensaria que estavam a brincar com a minha cara. Mas aconteceu mesmo. Com trabalho, esforço e empenho, consegui. É difícil, mas não é impossível. 

 

  • As notas não são tudo

Já sei que são as médias e as notas dos exames que determinam a entrada no curso A ou B, na Universidade X ou Y, mas as notas NÃO são tudo. Quando digo isto aos meus colegas, normalmente a resposta é "dizes isso porque tens as notas que tens". E não é verdade, muito longe disso. Digo isto porque consegui aprender que as notas não são tudo (a muito custo, é certo, mas consegui!). Tal como vos dei a conhecer acima, tive alturas este ano em que ficava a remoer na cabeça sobre uma nota qualquer, em que um 19 não me satisfazia e que, no próximo teste, ia fazer de tudo para subir e tirar uma nota mais alta. Enfim, tornei-me numa perfeccionista de primeira categoria, ao ponto de não ficar satisfeita com um 20 (mas para onde ia subir? Pois, também não sei.). Para chegar à nota mais alta, fazia trinta por uma linha, ignorando muitas vezes que esse esforço, além de desnecessário, diga-se, não era benéfico para mim. 

Já na altura dos exames (junho), a minha mentalidade era completamente diferente. Preparei-me, estudei e fiz o que tinha de fazer: dei o meu melhor. Quando entrei para a sala para fazer os exames, estava calma (ok, um bocadinho nervosa, mas isso é normal). Aliás, estava tranquila comigo mesma. Tinha noção que a minha parte tinha sido feita e mais do que o que fiz não podia ter feito. Se o exame corresse bem, ótimo. Se não, paciência, nem sempre as coisas correm bem e podia sempre usar a 2ª fase para melhorar, mas não me ia sentir triste ou desanimada comigo mesma por causa disso, porque sabia que tinha feito o que podia. Aliás, acabei por descer a média em interna numa disciplina, e aceitei aquilo com naturalidade. Estava orgulhosa do meu trabalho e isso bastava-me.

As notas são importantes, sim, mas não há nota que pague a vossa saúde física e mental. A vossa saúde tem sempre, SEMPRE, que estar em primeiro lugar. As notas não são tudo, há mais para além disso. É importante criar uma rotina saudável, que vos permita ter boas notas, mas que não vos leve a esgotamentos e/ou ataques de ansiedade. Peçam ajuda, cuidem de vocês. 

 

E acho que foi mais ou menos isto. 

Se, ao contrário de mim, não ficaram felizes com o decorrer deste ano, pensem no que é que pode ser melhorado, mas não se matem com isso. Continuem a trabalhar, a empenhar-se e a dar o vosso melhor. Isso é suficiente, acreditem. YOU GOT THIS!

 

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Qui | 01.08.19

Comprar livros a bons preços e visitar lojas locais/apoiar boas causas

Mar Pereira

Quem me segue no Instagram sabe que uma das minhas coisas favoritas para fazer num dia de folga/pausa é passear pelos alfarrabistas da minha cidade ou em feiras de velharias/de caridade para encontrar livros que precisam de uma nova casa a preços bastante convidativos. 

Numa altura em que os centros das grandes cidades (Lisboa, Porto) estão a ficar cada vez mais cheios de hotéis, hostels e esplanadas e cada vez menos identidade, muitas lojas pequenas e locais são obrigadas a fechar e deixarem os espaços em que estavam há mais de 30/40/50 anos. E nós não podemos fazer muito para  mudar este cenário, já que não temos controlo sobre a ganância de muitos, mas, ao visitar estas lojas, estaremos a fazer alguma coisa para as apoiar e, desse modo, ajudar a que elas se consigam manter abertas. 

A juntar à visita das lojas locais, podemos ainda encontrar livros em bom estado a preços apetecíveis, ou seja, a visita a alfarrabistas só tem pontos positivos (ignorando o facto de estarmos constantemente ao pé da desgraça de querer trazer a loja inteira para casa). 

Além da visita a alfarrabistas, podem sempre procurar por feiras de velharias e feiras de caridade, que normalmente também vendem livros usados e a bons preços. 

 

A mero exemplo, eis alguns livros que comprei nestas condições (ou em alfarrabistas ou em feiras de caridade):

  • A Montanha Mágica, Thomas Mann - 10€ (ed. D. Quixote)
  • Um Estudo em Vermelho, Sir Arthur Conan Doyle - 0,20cent. (comprei outros de Sherlock Holmes a 15 centimos - Coleção de jornal)
  • A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera - 0,75cent. (ed. Editores Reunidos)
  • Romeu e Julieta, William Shakespeare - 0,50cent. (ed. Visão)
  • Frankenstein, Mary Shelley - 1€ (ed. Leya de bolso)
  • A Sangue Frio, Truman Capote - 5€ (ed. D. Quixote)

De referir que os livros estão todos em bom estado, alguns praticamente novos (!!!).

 

Em Lisboa, existem várias feiras em que encontram livros usados a bom preço. O ano passado visitei a Feira da Ladra, junto ao Panteão Nacional, e comprei um livro da Agatha Christie a 50 cêntimos (ed. Asa). Não comprei mais livros porque, altura, tinha prometido que não ia comprar livros na viagem (fui uma burra, diga-se de passagem). Existem alfarrabistas espalhados pela cidade, mas não tive tempo de visitar nenhum, portanto nisso não posso ser muito útil. Uma pesquisa rápida no Google pode ajudar :)

Já no Porto, além de algumas feiras (lembro-me, por exemplo, de uma perto da Praça dos Leões, aos sábados de manhã), o que não faltam são alfarrabistas. Os meus três favoritos são: Alfarrabista.eu, Livraria Académica e Paraíso do Livro (exatamente por esta ordem, do 1º para o 3º). Existem também alguns na Rua das Flores (perto da Estação de S. Bento/da Ribeira) e na Rua Formosa (ao pé da Rua de Santa Catarina). 

DICA: Uma excelente oportunidade para conhecer mais alfarrabistas e as suas localizações são as feiras do livro! Muitos deles estão lá presentes e são sempre oportunidades para conhecerem mais sobre eles e onde é que se localizam. 

 

Costumam frequentar alfarrabistas e feiras de caridade? Que livros já compraram nessas condições?

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