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mar

literatura, cinema e afins

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literatura, cinema e afins

Dom | 30.09.18

De que é que eu não gosto na escola?

Mar Pereira

O regresso às aulas deu-se, para a minha pessoa, na passada segunda-feira, dia 17 de setembro. Se, há uns anos atrás, a meio de julho dizia estar "farta das férias", este ano, tal não aconteceu. Se me dessem mais três meses, aceitava de bom grado. 

A resposta de grande parte dos estudantes à pergunta feita no título seria: tudo (ou quase tudo). Sou uma sortuda por ter tido, ao longo destes anos, experiências boas na escola. Não quero dizer que tudo foi um mar de rosas (porque não foi, de todo), mas gosto das aulas, gosto de aprender e esses são os dois grandes ingredientes da escola, certo? Num dia em que entre às 8h15 e saia às 16h45, dessas 8h e tal dentro da escola, mais de 6h são passadas a ter aulas e a aprender. 

Portanto, se a questão fosse: gostas da escola? Eu responderia: sim, claro

Mas diria isso numa generalidade. Porque também existem umas quantas coisas que não me agradam particularmente, tais como... 

 

  • A confusão

Não é algo que não seja esperado, afinal, estamos a falar de um espaço que contém centenas de pessoas e, como tudo o que é espaço sobre-lotado, a azáfama, a correria e a gritaria são o prato do dia todos os dias

A meio do dia, confesso que isto me passa um bocado ao lado, mas, chegar à escola às 8h da manhã e ter que levar com miúdos do 7º Ano a gritar uns para os outros "OLHA, MANO, VISTE O ÚLTIMO VÍDEO DO WUANT?" é coisa para deixar o cérebro de uma pessoa frito.

 

  • As filas

Eu detesto esperar (algo que herdei da minha mãe). Não gosto. Se for a entrar num café e vir que tem uma fila de clientes à espera, dou meia volta e saio pela porta por onde entrei. Isto é um grande defeito, e, acreditem, já melhorei muito neste aspeto, mas, ainda assim, continuo a ser uma pessoa extremamente impaciente. 

Na minha escola básica, existiam filas nos intervalos (acho que é normal), mas, fora isso, nada de muito grave a apontar. No secundário, não. Há fila sempre e para tudo. É para o bar, é para a papelaria, é para marcar senhas, é para a cantina, para a casa de banho. Até para entrar na própria escola.

Só não há filas para requisitar livros. 

 

  • A competitividade 

Era algo que, novamente, no básico não havia. Agora, no secundário, tudo luta para ver quem consegue a melhor média e quem tira as melhores notas. Desdenha-se deste e daquele, critica-se aquela ou aqueloutra. Torna o ambiente pesado e mesquinho. 

 

  • A pressão e a expectativa

Há sempre alguém que espera muito de ti: os teus pais, professores e, até, colegas. Há sempre alguém à espera da perfeição. Traz-me muito, muito, muito stress. Not cool.

 

  • As pessoas 

Este ponto está um bocadinho ligado à competitividade, portanto, já se pode adivinhar um bocadinho o meu discurso. Nem sempre as pessoas são as mais simpáticas, existem situações extremamente desagradáveis e pouco sossego. As confusões e os conflitos são constantes. 

Não quero, contudo, dizer que não encontremos boas pessoas na escola. Felizmente, conseguimos encontrá-las, aqui e acolá. 

 

De que é que vocês não gostam/não gostavam na escola?

Até breve! 😊

 

 

 

 

 

 

 

Qui | 13.09.18

Literatura | TAG: Como Eu Leio

Mar Pereira

Em agosto, fui gentilmente marcada pela Babi, do blogue Café Com Bolachas e Chocolate, para responder à TAG "Como Eu Leio". Hoje, trago-vos as respostas!

 

1. Como descobres novos livros para ler?

Neste momento, os Blogues e o BookTube são as duas principais fontes de pesquisa, quando pretendo encontrar recomendações. Mas o Goodreads, uma antiga professora de Português e, certas vezes, um ou outro amigo também me ajudam a conhecer novos livros. 

Mas, para mim, a melhor maneira para descobrir novas aventuras é mesmo numa livraria. Haverá algo melhor que entrar num local recheado de lombadas a ser vistas, títulos a ser lidos e capas a ser apreciadas?

 

 

2. Como entraste no mundo da leitura?

Acho que a minha relação com a literatura começou desde muito cedo, já que tenho memórias de, quando tinha 4 anos, folhear páginas de alguns livros que ainda hoje guardo em casa. Na primária, lembro-me de ler um ou outro livro de Uma Aventura (cheguei a conhecer uma das autoras e tenho um livro autografado). Quando entrei para a Escola Básica, nos 5 anos que lá passei, participei nos 3 clubes literários que eles tinham (durante 3 anos, no Clube de Contos; durante 1 ano, no Clube de Poesia; no outro ano, no Clube de Teatro). Tive uma altura (talvez pelo começo da idade do armário) em que não lia nada. Dizia que não gostava de ler. 

Em 2016, redescobri o meu gosto por livros que, entretanto, evoluiu para uma paixão que, muito provavelmente, nunca mais vai embora. 

 

 

3. O teu gosto literário mudou com o passar do tempo?

Sim. Aos 11 anos, andava eu a devorava os livros do Tio Patinhas (como eu era fã daquilo...) e, agora, já não. Se os ler, acho-lhes piada, mas essa fase já passou. 

Quando, em 2016, mergulhei a fundo no mundo dos livros, gostava muito de fantasia. Ainda gosto, é certo, mas sinto que os meus interesses se encaminham agora para outros géneros. 

Portanto, sim, o meu gosto literário mudou com o passar do tempo. Acho que acontece com toda a gente, a certo ponto.

 

 

4. Com que frequência compras livros?

Com mais frequência do que desejava... 

 

 

5. Como entraste no mundo do booktube?

Como criadora de conteúdo, não entrei... Ainda. 

Como observadora/subscritora, não faço a menor das ideias. Não sei qual foi o primeiro canal, o primeiro vídeo ou o porquê de ele me ter aparecido nos recomendados. Sei que foi em meados de agosto de 2016, isto porque foi nessa altura que criei conta no Goodreads e lembro-me que, mal descobri o BookTube, a primeira coisa que fiz foi criar lá uma conta. De resto, não sei, não me lembro. História interessante, não é? Não, mas é o que se têm de uma pessoa com memória de peixe. 

 

 

6. Como reages quando não gostas do final de um livro?

Fecho-o. Suspiro profundamente. Encaixo o livro na estante. Começo outro.

 

 

7. Com que frequência lês a última página?

Agora, não leio. Mas já tive esse hábito, há uns 2 anos atrás. Agora simplesmente não leio.

 

 

8. Quem vais taggar?

Quem estiver interessado em fazer a TAG? Pois, sim, talvez. 

 

 Até breve! 😊

 

 

 

Sab | 08.09.18

Escrita | Escrever um livro é um processo fácil?

Mar Pereira

Crescemos a ouvir que, antes de morrer, temos de fazer três coisas: plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro.

Não sei se é o resultado dessa crença habitual passada de geração em geração, mas, de facto, quando entramos numa livraria vemos estantes recheadas de livros de diversos géneros, tamanhos, preços e autores. Mas será que escrever um livro é um processo fácil? Fiz essa mesma pergunta a quem escreve – online, secretamente ou para grandes públicos – ou a quem lê os livros que são publicados algures e que esperam, quem sabe, pela eternidade. Eis o resultado...

 

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Escritora

  • Nome: Patrícia.
  • Idade: 19 anos.
  • Escreve online/secretamente/tem livros publicados: Escrevo em um caderno que não está partilhado na internet.
  • Redes Sociais: Instagram, Blogue.

O que o levou a escrever?

O que me levou a escrever foi por vezes, estar a criar memórias incríveis que nunca queria esquecer então queria incorporar essas memórias por escrito, mas sem se tornar em um diário, mas sim uma história, juntando metáforas e personificações para ficar algo sólido.

Comecei à vários anos a escrever em conjunto e adorava mas não tínhamos algo viável para continuar a história só queríamos escrever, agora com este meu novo “projeto”, sinto-me diferente pois tenho um fio condutor!

→ Por que razão escreve?

Continuo a escrever para o melhoramento da minha criatividade e expressão de memórias, quem sabe mais tarde reformular tudo e torná-lo público.

→ A escrita é ou não um processo complicado?

Complicado é favor pois no ponto de vista de leitora, escrever um livro tem que se tornar como o meu livro preferido.

 

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Leitora

  • Nome: Marta.
  • Idade: 19 anos.
  • Escreve online/secretamente/tem livros publicados: [Não escreve]
  • Redes Sociais: Blogue, Instagram, Twitter.

→ Alguma vez teve uma experiência com a escrita, para além da escola? Ou seja, alguma vez tentou escrever um livro? Se sim, por que razão parou?

Quando tinha cerca de doze anos, descobri o mundo da fanfiction, primeiramente no Facebook e, mais tarde, no Wattpad, o que de certa forma me inspirou a começar a eu própria a escrever e publicar as minhas criações (apesar de sempre ter gostado de escrever, mesmo antes disso). Tenho algures em casa umas páginas que escrevi, devia andar ainda na escola primária, de uma história inspirada nos bonequinhos da Littlest Pet Shot. E cheguei mesmo a participar em concursos de escrita. No entanto, senti a necessidade de parar, quando a minha imaginação deixou de fluir e as obrigações académicas se sobrepuseram.

→ Qual é a sua perceção da escrita de um livro? Parece-lhe um processo complicado ou relativamente fácil?

Acredito que dependa de pessoa para pessoa, mas não é decididamente fácil. Para uns, o processo da escrita pode ser levado a cabo mais rapidamente, enquanto que a edição possa ser uma maior dor de cabeça. Para outros, terminar um projeto pode ser a pior parte, uma vez que existem inúmeros obstáculos, como a preguiça, a falta de imaginação, um bloqueio literário, …

 

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Escritor

  • Nome: creepysantos (Vasco).
  • Idade: 21 anos.
  • Escreve online/secretamente/tem livros publicados: Escrevo secretamente. Não publico em lado algum, apenas guardo algumas das minhas experiências.
  • Redes Sociais: YouTube, Facebook, InstagramBlogue.

O que o levou a escrever?

Acho que todas as pessoas têm necessidade de contar histórias. Há uma vontade imensa no contacto com os outros, na conversa. Há algo primordial que nos “obriga” a comunicar e a criar.

Quando penso na possibilidade de escrever um livro a solo, penso-o de uma forma muito específica: uma coletânea. Não consigo sequer imaginar a possibilidade de preencher pelo menos 200 páginas em branco com uma história só. Enquanto “autor” (e aqui com muitas aspas), sou consequência das vivências do peão social em que habito, e por isso, do meio de tantos conflitos, é impossível (para mim) cingir-me a uma narrativa. Faz-me confusão esse envolvimento longo, tenho uma necessidade voraz de escrever mais e diferente.

→ Por que razão escreve?

“(…) tenho uma necessidade voraz de escrever mais e diferente.”

→ A escrita é ou não um processo complicado?

É, completamente. Passamos tanto tempo à volta da mesma história (ou até mesmo de um conto). Desse tempo resulta um envolvimento. Como consequência desse envolvimento tornamo-nos mais autocríticos o que pode levar a uma insatisfação constante (com isto não quero dizer que se deve ficar imediatamente contente após o primeiro rascunho, mas que o mesmo deve ser melhorado aos poucos, e que enquanto criadores, por vezes, precisamos de manter alguma distância).

Por isso é que opto por escrever contos (por norma têm uma ou duas páginas). Gosto da sensação de satisfação imediata: apetece-me escrever, escrevo, e termino, tudo isto em apenas uma hora. Se o resultado me agrada é outro assunto, porque afinal posso guardar aquele rascunho e voltar a ele mais tarde. Outra questão é ávida vontade que as personagens que crio têm de acabar (o que também incapacita o meu poder de as levar longe. Normalmente elas não sabem onde estão, para onde vão, e tampouco conhecem o seu destino. Talvez queiram acabar por estar a habitar num local e num corpo que desconhecem. Talvez precisem de se ambientar. Não posso ser tão prematuro e atirá-las de imediato aos leões.

 

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Escritora

  • Nome: Raquel Pereira.
  • Idade: 26 anos.
  • Escreve online/secretamente/tem livros publicados: Secretamente.
  • Redes Sociais: FacebookInstagramBlogue.

 O que o levou a escrever?

Para mim é difícil determinar um ponto do tempo em que comecei a escrever. A minha memória mais antiga é de escrever uma história baseada nos livros do Harry Potter quando a palavra fanfiction ainda não era comum. Tinha, provavelmente, oito ou nove anos de idade. Escrevi-a num dossiê verde do Winnie The Pooh - que ainda tenho - mas, a minha mãe diz que comecei a escrever antes disso. Segundo ela, rescrevia os meus filmes preferidos na Disney - O Rei Leão e o Aladdin - embora não tenha qualquer memória disso. Ela diz que se lembra perfeitamente porque pedia-lhe para fazer os desenhos que acompanhavam as histórias. Também não me lembro do exacto momento em que decidi que publicar um livro era um sonho meu pois, de algum modo, é como se ele estivesse sempre lá.

→ Por que razão escreve?

Faço esta pergunta a mim mesma todos os dias. Não sei. Posso dizer com toda a certeza deste mundo que a minha vida seria muito mais fácil se deixasse simplesmente de escrever e me limitasse à leitura. Deixar de o fazer é uma ideia muito apelativa, não vou mentir e às vezes há dias em que nem sequer eu própria compreendo porque o faço. É quase como se fosse masoquista.

Há pessoas que possivelmente vão responder que é algo através do qual retiram algum divertimento ou que procuram concretizar um sonho, para mim é - e espero não estar sozinha - igual mas simultaneamente diferente. Tendo em conta a resposta acima dada, para mim escrever é uma forma de manter a sanidade mental e, talvez por isso, ainda não tenha um livro publicado com o meu nome próprio. Mas claro que adoraria provocar nos outros a sensação que os livros provocam em mim e viver disso - o que em Portugal é quase impossível.

Em mim, as ideias surgem de forma constante, através de uma pintura, de um livro, de um filme ou de algo que ouvi, e o meu cérebro desenvolve-as de tal maneira que se não as colocar em algum local a minha atenção para as tarefas do dia-a-dia diminui exponencialmente e deixo de ser uma humana produtiva.

→ A escrita é ou não um processo complicado?

Há uma frase famosa de Ernest Hemingway que gosto de citar quando me dizem que escrever é fácil. There is nothing to writting. All you do is sit down at a typewriter and bleed. No goodreads há milhares que apoiam o meu caso pois se alguém disser que escrever não é um processo complicado, das duas, três: ou está a mentir, ou está iludido ou tem um ghostwritter. Não há outra escolha.

Ter ideias e desenvolvê-las para mim é fácil, não é um processo complicado. É o que há de mais simples em todo o processo de tentar escrever um livro. Agora, escrever essas ideias, fazer com que elas façam sentido, que provoquem emoções no leitor e que sejam fáceis de visualizar e realistas, isso sim, é difícil. Tentar escrever numa linguagem correcta e com uma gramática perfeita é o meu Santo Graal.

As ideias, a minha outline, apresentam-se quase como um filme. Imaginem o vosso filme preferido e tentem escrevê-lo não em formato de guião, mas em livro. Descrever as cores, o vento, as emoções. Escrever sobre a profundidade de um olhar ou a magia de um toque. E Deus vos livre de tentarem fazê-lo sobre um mundo de fantasia onde tudo é criado de raiz. Os nomes, a política, as plantas e as criaturas. Tentem ligar de forma não- atabalhoada os pontos entre os personagens.

Escrever é um processo complicado que drena energia, confiança e positividade a uma pessoa. É cansativo, quase como viver duas ou mais vidas pois, para além da nossa, estamos constantemente na cabeça de outra pessoa, a viver a sua vida e a sentir as suas emoções. Há quem diga que isso é bom pois é quase como se vivêssemos mais do que as outras pessoas. Mas também temos o dobro de corações partidos, da dor e das lágrimas. E embora voltar atrás para ler as palavras já criadas seja um sentimento fantástico, escrever as palavras que levam a essa emoção é difícil e um trabalho extenuante.

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Leitora

  • Nome: Sara Cristina.
  • Idade: 22 anos.
  • Escreve online/secretamente/tem livros publicados: [Não escreve] Escrevo de vez em quando haha 
  • Redes Sociais: Youtube.

→ Alguma vez teve uma experiência com a escrita, para além da escola? Ou seja, alguma vez tentou escrever um livro? Se sim, por que razão parou?

Sempre tive especial interesse pela escrita, mesmo na altura da escola. Apesar de na altura dar imensos erros de ortografia, sempre foi algo que gostava de fazer. Já tentei e não posso revelar muito. Estou a tentar escrever algo que tenha estrutura, mas como não gosto de me sentir pressionada para nada... escrevo quando me sinto realmente inspirada.

→ Qual é a sua perceção da escrita de um livro? Parece-lhe um processo complicado ou relativamente fácil? 

Acho um processo bastante complicado, uma vez que é algo solido e também um projecto que irá ser avaliado (caso seja publicado). Acho que os escritores têm de pensar sempre muito bem nas palavras que vão utilizar e qual a estrutura. Muitas vezes temos de pensar também no outro que irá ler, e não apenas na forma como gostamos de escrever. Por vezes também é necessário sairmos da nossa zona de conforto e procurar outras perspectivas. Para não falar que é um trabalho que requer trabalho diário e muita paciência.

 

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Escritora

  • Nome: Tânia Dias.
  • Idade: 20 anos.
  • Escreve online/secretamente/tem livros publicados: Tenho livros publicados: Despedaçada – Chiado Editora; Fénix – Chiado Editora; Também participei em : Entre Monstros e Dragões  da Chiado Editora.
  • Redes Sociais: Facebook, Instagram, Blogue.

  O que o levou a escrever?

Sempre fui muito criativa, se tivesse de pintar um desenho com quadrados tinha de os fazer a todos distintamente diferentes, então quando descobri a leitura (porque até aos meus 10/11 anos não gostava de ler) foi uma progressão natural. Se não gostava do final de um livro criava o meu próprio. Durante três ou quatro anos, escrevi fanfiction, desenvolvendo a minha forma de contar histórias e de criar personagens. Só tomei a decisão de começar a escrever algo inteiramente meu quando as minhas fics se tornaram quase inteiramente personagens minhas.

→ Por que razão escreve?

Escrever tornou-se terapêutico, uma forma de expressar aquilo que me vai na mente. Assim como uma forma de acalmar a minha mente híper criativa. Se passar muito tempo sem escrever, acabo a não me sentir tão bem, por isso, escrever não é bem uma opção, eu quase que tenho de o fazer para suportar a vida.

→ A escrita é ou não um processo complicado?

Boa pergunta. Eu acho que planear um enredo e começar um livro não é difícil. Qualquer pessoa pode ter uma ideia, mais ou menos completa, mais ou menos criativa, e começar a pô-la em papel. A parte complicada começa com continuar a escrever, as primeiras páginas são fáceis, há sempre ideias a fluir, mas à medida que se vai avançando, torna-se progressivamente mais complicado continuar. Não só pelas ideias, muitas vezes o problema não é a falta de criatividade, mas a quantidade de dúvidas que começam a surgir. Será que isto é clichê? Será que estou a descrever esta cena corretamente? E este diálogo? Será que é previsível? E se forem como eu que adoro dar pequenos indícios ao longo da história, começam a ponderar se estão a ser explícitos o suficiente…ou demasiado óbvios.

Para além disso, muitos escritores (ou talvez seja só eu) escrevem a pensar em partilhar as suas histórias com alguém, e outra dificuldade é ultrapassar aquela ‘’necessidade’’ quase compulsiva de nos compararmos a todas os escritores existentes.

Resumindo, penso que não seja o processo físico de escrever que é difícil, acho que é a componente psicológica que o torna um processo mais complicado.

 

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Somos todos escritores, só que alguns escrevem e outros não."

José Saramago

 

Até breve! 😊

 

 

 

 

Seg | 03.09.18

Diário de Leitura de "Os Maias" (Eça de Queiroz)

Mar Pereira

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1 de agosto de 2018

Está lido o primeiro capítulo d'Os Maias. A escrita não me incomodou, aliás, não considerei que as descrições fossem demasiado cansativas e chatas, como toda a gente faz questão de dizer. Pouco mais de 30 páginas lidas, por hoje. Gostei imenso. 

Pedro da Maia amava! Era um amor à Romeu, vindo de repente numa troca de olhares fatal e deslumbradora, uma dessas paixões que assaltam uma existência, a assolam como um furacão, arrancando a vontade, a razão, os respeitos humanos e empurrando-os de roldão aos abismos" (pág. 24)

6 de agosto de 2018

[Sobre o 2º capítulo] Que capítulo tão triste. Senti-me completamente envolvida pela história. A escrita de Eça, talvez por recair bastante na descrição, deixa o leitor ver um filme correr à sua frente - ou, melhor ainda, deixa que o leitor seja transportado para o cenário onde se encontram as personagens e permite que o forasteiro conviva com as gentes locais. Quase que pude sentir as pingas de chuva que encharcavam Pedro da Maia cair sobre mim, também. 

Um final trágico.

Pedro quis dar ao pequeno o nome de Afonso. Mas nisso Maria não consentiu. Andava lendo uma novela de que era herói o último Stuart, o romanesco príncipe Carlos Eduardo; e, namorada dele, das suas aventuras e desgraças, queria dar esse nome a seu filho... Carlos Eduardo da Maia! Um tal nome parecia-lhe conter todo um destino de amor e façanhas." (pág. 41)

7 de agosto de 2018

[3º Capítulo] Comparação nítida entre as educações de Carlos e Eusébiozinho. O papel da mulher n'Os Maias emergiu neste capítulo, aspeto que me interessa e espero que seja ainda mais explorado adiante. 

Começo a gostar cada vez mais de Afonso da Maia. Que personagem interessante!

– Mas enfim os clássicos – arriscou timidamente o abade.

– Qual clássicos! O primeiro dever do homem é viver. (...) A alma vem depois. A alma é outro luxo. É um luxo de gente grande..." (pág. 67)

8 de agosto de 2018

[4º Capítulo] Um dos meus capítulos favoritos, até agora. A escrita de Eça, apesar das duas conhecidas descrições, está a conquistar-me aos poucos. Agora que temos já mais de 100 páginas lidas, penso que não será cedo para dizer que estou a gostar muito deste livro: desde o ambiente, às personagens, a própria maneira de escrever deste senhor... E finalmente conheci o tão falado João da Ega! Que personagem. Muito boa a impressão com que fiquei dele.

(...) se não aparecem mulheres, importam-se, que é em Portugal para tudo o recurso natural. Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilos, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssima, com os direitos da Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas..." (pág. 113-114)

14 de agosto de 2018

Por diversos motivos, a leitura do 5º capítulo foi arrastada. Confesso que, realmente, foi um bocadinho complicado lê-lo. Tinha muitas vezes a sensação que nunca mais acabava, o que não é muito bom. Mas, fora isso, continuo a gostar muito da história!

30 de agosto de 2018

Vou agora começar o capítulo 14. Já lemos mais de 50% do livro. Estou completamente mergulhada na história. Que maravilha de livro... 

Madrugada de 1 de setembro de 2018

Já está. Terminei. Não sinto que existam palavras suficientemente boas para descrever esta autêntica obra de arte que Eça nos deixou. 
Fica um eterno e imenso amor por esta história e por estas personagens.
Muito provavelmente, o melhor livro que alguma vez li.

Falhámos a vida, menino! (pág. 722)

 

A leitura d'Os Maias foi feita em conjunto com a Babi, do canalblogue Café Com Bolachas e Chocolate.

 

 Até breve! 😊