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mar

literatura, cinema e afins

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literatura, cinema e afins

Seg | 23.07.18

As leituras obrigatórias vistas por uma estudante do ensino secundário

Mar Pereira

Antes de começar com o assunto que vos trouxe aqui verdadeiramente, quero começar por dizer que, com este post, não pretendo ofender ninguém, tal como pretendo que ninguém me ofenda a mim. Todos somos livres para termos opiniões diferentes (e ainda bem que assim é) e, por isso, tudo o que eu escrever aqui é o reflexo da minha opinião. Só e apenas. Não é um ataque pessoal. Mas uma vez, somos livres para termos as nossas opiniões.

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Muito se voltou a falar e a discutir sobre as leituras obrigatórias (detesto, mas detesto mesmo, este termo) a que os estudantes são sujeitos ao longo dos 12 anos de escolaridade obrigatória (fazendo contas rápidas e simples), sobretudo nas redes sociais. Isto porque, no dia 18 de julho, vários jornais lançaram uma notícia cujo o título era "Os Maias deixam de ser leitura obrigatória no secundário". Os Maias já não são uma leitura obrigatória no secundário há algum tempo. Continua a ser obrigatório dar uma obra de Eça de Queiroz, mas, agora, a escolha da obra fica a cargo dos professores, como, nos anos mais recentes, já acontecia, pois era dada a opção de lecionar Os Maias ou A Ilustre Casa de Ramires. Caso queiram saber mais sobre as recentes alterações feitas ao estudo da obra de Eça, cliquem aqui para aceder a uma notícia do Observador que explica, de forma simples, as referidas mudanças. 

Sou aluna do ensino secundário. Estou prestes a começar o 11º ano. Já tive obras de leitura obrigatória e, agora, eu sei, estão para chegar aquelas que mais dores de cabeça dão aos alunos. Mas medo de ler um livro? Tenho zero disso. 

As opiniões de pessoas que estão agora na faculdade ou no mercado de trabalho e que já acabaram o 12º podem ser algo mais consistente, mas, ainda assim, julguei que seria interessante ver a opinião de alguém que vai, neste verão, ler Os Maias.

Primeiro, vou deixar já claro e evidente o meu ponto de vista: sou totalmente a favor das leituras obrigatórias. Há quem diga que obrigar alguém a ler um livro não traz benefícios aos alunos, os livros obrigatórios são mal escolhidos ou que um adolescente de 16 anos não tem maturidade suficiente para aguentar com Eça, mas discordo totalmente. 

As leituras de livros como Os Maias ou Memorial do Convento têm tanto de obrigatório como a história de Harry Potter tem de verdadeira. Alguém nos vai apontar uma arma à cabeça por não lermos Os Maias? Não. Alguém nos vai torturar se não lermos Memorial do Convento? Não. Lê quem quer. Quem não quer quisesse. Numa turma de 30 alunos, terão, no máximo, 10 a ler esses mesmos livros (a não ser, claro, que a turma seja fora do normal). Depois há quem remende a coisa a ler apenas livros de resumos das obras e outros que se limitam a fazer testes e exames com o conhecimento geral que têm dos livros, porque ouviram isto e aquilo da boca de um ou de outro. Dizer que um aluno não acaba o ensino secundário sem ler Os Maias é simplesmente irrealista. 

O problema reside, na minha opinião, no pensamento das pessoas e não nos livros ou autores escolhidos. As pessoas partem para as leituras obrigatórias com pensamentos formatados de "isto vai ser uma seca, vou odiar isto, a mim ninguém me obriga a fazer nada", pensamentos esses baseados nas experiências pessoais de outrem ou do próprio senso comum criado entre a população portuguesa que tem hábitos de leitura tão mal enraizados, como todos sabemos. Há que encarar os livros como uma experiência, uma oportunidade, porque é exatamente isso que os livros são. Tentem gostar de algo quando dizem a vocês mesmos todos os dias que detestam essa coisa. Não vão conseguir apreciá-la. Aqui acontece o mesmo: de tanto se rodearem de pensamentos pessimistas, os adolescentes não conseguem ver mais nada à sua frente a não ser esse tipo de pensamentos que, aqui, funcionam quase como nevoeiro. Com a exceção de não existir sol à vista que mude esta mentalidade. 

 

As Vantagens das Leituras Obrigatórias (na minha opinião)

 

  • Aumentar o conhecimento

As leituras, em geral, têm este papel: quanto mais lemos, [tecnicamente] mais sabemos. Está provado que, quando lemos, estamos automaticamente a transportar para o cérebro novas informações. Imaginem quantas "novas informações" não enviamos ao cérebro a ler livros como Os Lusíadas, Os Maias ou Memorial do Convento...

 

  • Conhecer os autores mais importantes do país

Vamos ser sinceros, se não fosse obrigatório lecionar uns quantos episódios d'Os Lusíadas quem é que ia ler a obra completa, ou, pelo menos, alguns Cantos? Camões não nadou até terra apenas com uma mão, enquanto, com a outra, tentava salvar o seu manuscrito, para não ser lido. Caso não fosse obrigatório ler Eça ou Saramago quantos de nós pegaríamos nas obras destes autores no futuro? Se não temos contacto com os grandes da nossa literatura na escola, quando teremos?

Quantos de nós não conhecemos alguns dos nossos autores de eleição através das leituras da escola? Eu, pelo menos, descobri – destacaria Sophia de Mello Breyner Andresen.

 

  • Desenvolver o espírito crítico

Novamente, mais um papel da leitura no geral. A crítica e a opinião surgem quando conseguimos formular conexões que nos levem a uma determinada conclusão, correto? Quanto mais lemos, mais conexões somos capazes de construir e, por isso, mais opiniões formamos. 

É importante relembrar que as obras de que falamos neste post são todas de leitura orientada em sala de aula e, por isso, é natural que, durante alguns momentos, surjam pequenos debates entre a turma, que se discutam pontos de vista. E as leituras obrigatórias são perfeitas para fomentar o espírito crítico dos jovens que parecem ter essa bateria claramente descarregada. Permitem que fiquem a pensar sobre determinados assuntos que, caso não estivessem presentes no livro e não o tivessem de o estudar na escola, passariam completamente ao lado das vidas dos mesmos. 

 

  • Mostrar aos jovens a História de Portugal pela Literatura

Talvez o ponto mais importante e relevante desta lista. O que é que praticamente todos os livros de leitura obrigatória têm em comum? São escritos por autores portugueses que marcaram a época em que viveram e passam-se em Portugal, falam do nosso país, fazem retratos do pensamento e da sociedade portuguesa de vários séculos. Desde que damos Auto da Barca do Inferno até Os Maias que o que temos é a representação do reflexo do que era o nosso país, antes de estarmos aqui. Ler os livros obrigatórios é, de certo modo, conhecer Portugal e os portugueses. 

 

Como disse anteriormente, este verão eu mesma vou ter que ler Os Maias. Toda a gente à minha volta me diz coisas relativamente más e desanimadoras do livro, mas quero-o ler há muito tempo. Ainda assim, precisei de fazer uma lista com algumas coisas para me motivar ainda mais para a leitura do livro. 

 

Motivação Para as Leituras Obrigatórias

 

  • Alguns dos livros atuais têm origem em clássicos

É verdade, alguns dos livros mais lidos dos últimos anos nasceram depois do autor se inspirar em algumas obras mais antigas. Por exemplo, Os Jogos da Fome tiverem como inspiração 1984 (George Orwell). Quem sabe se, ao ler Eça e Saramago, não encontro semelhanças entre estes autores e outros autores nacionais, como Afonso Cruz?

 

  • Podes estar prestes a descobrir o teu próximo autor favorito

Conheço muita gente que ficou fã de Saramago depois de ter lido Memorial do Convento na escola, no 12º ano. Esse livro foi a rampa de lançamento para o mundo que são os livros do Nobel da Literatura. Pode acontecer o mesmo comigo ou contigo. Temos é que dar uma hipótese ao autor e não confiar em tudo o que nos dizem, caindo no pressuposto que aquilo é um livro que nada vai acrescentar à nossa vida.

 

  • Ler um livro é sempre uma aventura

Como já referi, um livro é uma experiência. Boa ou má, cada um decidirá no final. Que mal tem não gostar d'Os Maias? Não é crime. O importante é conseguir extrair dali a qualidade que o livro tem (porque tem, digam o que quiserem) e o que ele nos pode ensinar. Os livros não são Adamastores nem têm tão pouco de ser vistos como tal. O máximo que pode acontecer numa leitura (tanto nas escolares como nas "regulares") é não gostarmos do livro. Ninguém morre por ler um livro, não estamos dentro d'O Nome da Rosa.

 

Já tive alguns amigos a perguntar-me como é que me estou a preparar para a leitura d'Os Maias, porque desde cedo disse que, antes de ler a obra, queria saber mais do que a rodeava. Falei com professores de Português, ou seja, pessoas que sabem do que falam, e também eles me deram dicas que considero interessantes e possivelmente úteis para as leituras obrigatórias que se avizinham. 

 

Dicas Para as Leituras Obrigatórias

 

  • Ler as obras com relativa antecedência

Tenho muita gente a perguntar-me: "Mas por que raio vais tu ler Os Maias no verão? Lê-los nas férias do Natal é suficiente...". Em termos de calendário, talvez. Mas, ler os livros antecipadamente traz várias vantagens. Podem ler o livro à velocidade que pretendem porque não existem prazos estabelecidos para terminar uma determinada leitura, podem ler o livro quando e onde querem, têm tempo para se dedicar inteiramente ao livro, se for necessário, caso não estejam a gostar e, por isso, não estão tão pressionados a ler X páginas para terminar a tempo de um teste.

Tudo bem que no Natal também estamos de férias, mas nessa altura temos sempre trabalhos que os professores gostam de mandar e já se pode pensar em começar a preparar exames nacionais. Para não falar que estas pausas são o melhor que temos para repor energias. 

Além disso, ler o livro com antecedência faz com que, quando o vosso professor mencionar o livro, vocês já tenham a noção do que é que ele está a falar e não se limitam apenas a ouvir palavras soltas que formam frases que não compreendem. Aproveitem as férias do verão, quando tudo está calmo e têm mais que tempo, para ler qualquer que seja o livro obrigatório para o vosso ano de escolaridade. 

 

  • Pesquisar mais sobre a vida e obra do autor

Perceber em que parte da vida do autor é que uma determinada obra se insere pode ser fundamental para compreender a mesma. Embora exista muita gente que defenda o contrário, acredito que os escritores escrevem sobretudo sobre realidades que conhecem ou que, pelo menos, lhes são próximas. Por exemplo, quando falamos de Eça temos obrigatoriamente de falar de polémica. Os Maias falam de incesto, O Crime do Padre Amaro de desrespeito ao celibato e O Primo Basílio de adultério. Em todas as obras são questionadas certas moralidades e ideias da época que Eça viveu. Para outros autores, exemplos parecidos aparecerão.

 

  • Pesquisar sobre o contexto histórico em que a obra se insere

Tal como a pesquisa sobre a vida e obra do autor, este é outro ponto fundamental para compreender o livro que estamos a ler (já que se tratam sempre de clássicos). Percebo que nem toda a gente se interesse por História, mas ler a Lisboa presente n'Os Maias a achar que é a Lisboa atual, com mulheres a andar de calças e homens de telemóvel na mão, com televisões e ecrãs gigantes para a população ver futebol é um erro frequentemente cometido. Os livros não andam a navegar pelo Espaço. Têm localizações e tempo próprios. Por exemplo, Os Maias desenrola-se no séc. XIX, no apogeu da industrialização europeia e afirmação das potências europeias, quando Portugal atravessava um período bastante conturbado. Portanto, a história que Eça criou não cai do céu como a chuva. Contextualizar um livro é meio caminho andado para o compreender.

 

  • Começa por tentar ler o livro por divertimento e vontade própria

Esta é a chave que combina com a fechadura "lê o livro com antecedência". Começar a leitura a espalhar pela mente o pensamento "isto é uma leitura obrigatória e por isso vou odiar" sem sequer ter lido uma página não vai abonar nada a favor de quem quer chegar ao final do livro. Novamente, o importante é encarar os livros como uma coisa normal que nada de mal nos fazem. No máximo, podem só diminuir a nossa ignorância em alguns assuntos.

 

  • Lê as obras obrigatórias em conjunto com os teus amigos 

Leituras conjuntas são excelentes para enriquecer ainda mais o ato de abrir um livro e ler as palavras que o autor nele depositou. São um modo de expormos pontos de vista, curiosidades que tenhamos detetado, opiniões e até mesmo dúvidas. Tudo isto só enriquecerá o conhecimento que temos da obra X ou Y. Além disso, é uma maneira de não nos sentirmos sozinhos no longo percurso que vamos ter com aquele livro e também uma forma de ligarmos boas memórias ao mesmo.

 

  • Impor metas

Queres avançar numa leitura e não sabes como? Impõe metas. 1 capítulo por dia, X páginas por dia ou até mesmo Y capítulos/páginas por semana. Sabem aqueles desafios que colocam a vocês mesmo do género "vou chegar àquele ponto antes da música terminar"? É algo parecido. Marquem metas para atingir e façam de tudo para as conseguir alcançar. 

 

  • Fazer listas ou cronologias de modo a tornar a leitura mais fácil

Todos sabemos que é relativamente fácil perdemo-nos num livro denso e, por isso, organização tem de ser a palavra chave das nossas leituras. Se o livro tem muitas personagens, escreve-as todas numa folha e, sempre que, ao longo do livro, seja introduzida uma nova personagem, atualiza essa mesma lista. E porque não fazer uma pequena descrição das personagens principais?

Também é relativamente fácil ficarmos perdidos no tempo, por isso, caso o livro forneça esse tipo de dados, organizar os acontecimentos cronologicamente pode ser um bom método para não perderem a noção do tempo.

 

  • Criar um diário de leitura

Não seria boa ideia teres um local onde vais guardando as tuas opiniões de todas as partes que vais lendo de um determinado livro? Por exemplo, hoje leste 3 capítulos do livro A e gostaste particularmente de 2 citações, quando acabares a leitura, ou no dia seguinte, seria interessante deixares a data da leitura e uma breve opinião fundamentada do que leste (p.e.: gostei, porque houve mais diálogo, a história focou-se mais nas personagens secundárias, etc). Literalmente documentar toda a experiência que estás a ter/tiveste num caderno [ou coisa do género], acabando por transcrever para lá as citações que mais gostaste. 

No final, vai ser engraçado reviveres todos os momentos que tiveste ao ler aquele livro e, quando chegar a altura de o analisar em aula ou estudar para os exames, tens os teus próprios pontos de vista anotados. 

 

  • Livros de resumos e adaptações cinematográficas e/ou televisivas? Sim, mas nunca como substituo à leitura da obra original

Utilizar livros de resumos e explicações que exploram capítulo por capítulo e parte por parte os livros, como é o caso das edições Apontamentos Europa-América Explicam... ou alguns livros da Porto Editora, pode ser uma estratégia de mestre no que toca à compreensão da obra X ou Y. No mundo ideal, as pessoas deveriam ler os livros antes deles serem abordados em pormenor nas aulas, correto? Ou seja, a leitura começa por ser quase autónoma. Um bom método para tornar as leituras mais simples seria, por exemplo, lermos um capítulo d'Os Maias e, depois, ler o pequeno resumo e análise que os livros de explicações oferecem. Era da maneira que podíamos esclarecer possíveis dúvidas e desfazer certos nós no cérebro. 

Quanto aos filmes e/ou séries que possam, eventualmente, existir e estar ao vosso dispor podem, também eles, funcionar como aliados. É importante perceber que a adaptação de um livro para o grande ou pequeno ecrã incluiu sempre alterações e mudanças e que, por isso, nem tudo o que vemos pode estar fiel ao livro. E, com certeza, algumas partes presentes na obra literária devem ter sido retiradas na adaptação. Os filmes (ou as séries) podem funcionar como um empurrãozinho, quase como um estimulo, para ficarem com mais interesse em ler as obras. Podem ajudar-vos a formar uma imagem mais real das personagens na vossa cabeça e também um decorrer da ação mais visual. 

No entanto, substituir a leitura das obras obrigatórias pela leitura do livro de resumos ou pela visualização do filme está errado. Perdem mais a fazê-lo do que ganham. São dos meios que podem ajudar e facilitar as leituras obrigatórias, mas não devem ser vistos como equivalentes à experiência que o livro traz. 

 

Mas, nem tudo está bem na seleção das leituras obrigatórias... 

E é impossível fazer de conta que está. Concordo com quem diz que talvez o leque de escolha pudesse, talvez, ser ligeiramente alterado/alargado. Em vez de estudarmos apenas os autores clássicos, a introdução de alguns autores contemporâneos, como valter hugo mãe ou Mário de Carvalho, podia ser uma ideia a pensar. Era uma forma de abranger ainda mais géneros literários, tipos de escrita, mentalidades e histórias. Mas, ainda assim, teria de ser literatura do mais alto nível. Se não temos contacto com estes nomes tão importantes da nossa literatura enquanto estudamos quando teremos? Saramago e Eça são "obrigatórios" porque, caso não fossem, metade da população não conhecia 2 dos maiores génios da literatura portuguesa. 

Quando digo que talvez fosse uma ideia a pensar, esta de introduzir outros autores com um outro tipo de histórias aos jovens, não estou, de todo, a dizer que, por exemplo, se deva tornar um livro como O Coração de Simon Contra o Mundo uma leitura obrigatória. É uma boa sugestão de leitura para os jovens, mas será que dá para analisar um livro como esse da mesma maneira que dá para analisar um livro como o Memorial do Convento? Será que têm níveis de qualidade parecidos ou equivalentes? Claro que não. Podemos até gostar mais do livro da Becky Albertalli, mas não podemos dizer que, a nível de qualidade literária, esse livro ultrapassa Saramago. 

Por exemplo, eu li A Metamorfose (Franz Kafka) e não gostei. Ainda assim, sei reconhecer que é uma obra excecional. Quem sou eu para questionar a qualidade daquela obra? Acham que os livros chegam até nós, tantos séculos depois, só porque sim? Claro que não. As obras marcaram uma época, um modo de pensar, um modo de viver, um movimento e um género literário. Mais de 80% do que vemos de novidades nas livrarias atualmente cairá no esquecimento daqui a uns anos. Se as obras e os autores perduraram tanto tempo não se deve ao mero acaso da Terra ser redonda. 

Tento compreender quem diz que uma pessoa de 16 anos não tem maturidade suficiente para aguentar com um livro como Os Maias, mas, um adolescente perto de chegar à maioridade é uma criança? Os adolescentes (dramáticos como são) fazem questão de hiperbolizar sempre os seus problemas e de ser ver como uns autênticos adultos maturos. Mas depois para ler um livro têm se ser tratados como crianças? 

As leituras obrigatórias não são o fim do mundo. Ninguém morre por ler um livro de 700 páginas. Pode não gostar do que leu, está no seu direito e o que seria do amarelo se toda a gente gostasse de cor-de-rosa, certo? Agora, criar um drama enorme à volta de um livro não se justifica, de maneira alguma. As leituras obrigatórias são boas, sim. Dão-nos a descobrir o melhor que a nossa literatura tem para dar, oferecem-nos arcaboiço cultural e intelectual e são a melhor maneira para conhecermos mais do nosso país. 

Talvez fosse melhor existirem autores obrigatórios e não obras obrigatórias, mas, se repararmos, é mais ou menos o que acontece neste momento. É obrigatório dar Eça, não é obrigatório dar Os Maias. É obrigatório dar Saramago, não é obrigatório dar Memorial do Convento (a partir de 2019/2020 o professor pode escolher entre dar o Memorial do Convento ou O Ano da Morte de Ricardo Reis). E, além disso, se estamos a falar de língua portuguesa, porque todas estas obras são lecionadas na disciplina de Português, porque não dar também alguns autores angolanos, moçambicanos ou brasileiros? Seria interessante.

Não gostaram de um livro que leram na escola? Sigam para outro. Há mercado para todos os gostos e não é porque não gostaram de ler Os Maias aos 16 anos que se justifica o facto de não lerem na idade adulta. Querem sugestões? Peçam-nas, há muita gente disposta a dá-las. Não parem de ler porque, uma vez na adolescência, leram um livro na escola que não vos disse nada.

 

Volto a reforçar a ideia de que este post não pretende ofender ninguém, estou apenas a partilhar a minha opinião, assim como vocês o podem fazer nos comentários.

 

Fontes de pesquisa: UnJaded Jade | Guia do EstudantePorto Editora | Expresso

 

 Até breve! 😊

 

Qui | 19.07.18

Cinema | 5 filmes baseados em factos verídicos a não perder!

Mar Pereira

O cinema está recheado de enredos adaptados de livros, enredos imaginados especialmente para um determinado filme e, também, de enredos baseados em factos verídicos, em História, em coisas que aconteceram a seres humanos como nós. E, hoje, vou falar-vos, precisamente, de filmes que foram baseados em histórias reais, já que estes filmes são das minhas primeiras preferências quando está na hora de escolher um filme. 

 

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 Agora (2009)

  • Género: Biografia, Aventura, Drama
  • Atores: Rachel WeiszMax MinghellaOscar Isaac
  • Diretor(a): Alejandro Amenábar

Estamos em Alexandria (Egito), no ano de 391 A.C. O Egito está sob o domínio romano e assiste a inúmeros e violentos confrontos sociais e religiosos. E é neste cenário que conhecemos Hipácia. Filósofa, matemática, professora, feminista. 

Conheci (e vi) o filme numa aula de Filosofia. Adorei, tanto pela História retratada como pela qualidade cinematográfica que é brilhante. 

 

123.jpgThe Social Network (2010)

  • Género: Biografia, Drama
  • Atores: Jesse EisenbergAndrew GarfieldJustin Timberlake
  • Diretor(a): David Fincher

Alguma vez pensaram em como é que surgiu o fenómeno que é a rede social Facebook, hoje usada por mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo?

The Social Network é um filme que fala precisamente disso. De tudo o que envolveu a criação da rede social mais usada do planeta. Dá para perceber que nem tudo foi um mar de rosas. Aliás, o Mark Zuckerberg teve, desde cedo, de enfrentar problemas com a justiça. 

Vale a pena. Tem dois dos meus atores favoritos, por isso ou suspeita, mas...

 

 

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12 Years a Slave (2013)

  • Género: Biografia, Drama, História
  • Atores: Chiwetel EjioforMichael Fassbender, Lupita Nyong'o, Michael Kenneth Williams
  • Diretor(a): Steve McQueen

12 Years a Slave é baseado na história verídica de Solomon Northup, um outrora homem livre, raptado e vendido como escravo e que enfrentará, depois, a luta pela sobrevivência e pela liberdade. 

Este é um daqueles filmes que toda a gente deveria ver, pelo menos uma vez na vida. Apesar de ser duro e tratar um tema tão sério, toda a gente devia vê-lo. É uma obra-prima do cinema. 

Ah, esqueci-me de dizer acima, mas é baseado num livro.

 

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The Danish Girl (2015)

  • Género: Biografia, Drama, História
  • Atores: Eddie RedmayneAlicia VikanderAmber Heard
  • Diretor(a): Tom Hooper

Baseado no livro escrito por David Ebershoff, a história desenrola-se na Dinamarca, no ano de 1920. As personagens principais são um casal de pintores, Einar e Gerda. The Danish Girl é a história da primeira pessoa a submeter-se a uma cirurgia genital, ou seja, a primeira pessoa a mudar de sexo na História. 

O filme é ma-ra-vi-lho-so. A fotografia, o enredo, as personagens, as interpretações (!!!!). Já o vi há muito tempo, mas as ideias que restaram são extremamente positivas.

 

 

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 Hacksaw Ridge (2016)

  • Género: Biografia, Drama, História
  • Atores: Andrew GarfieldSam WorthingtonLuke Bracey
  • Diretor(a): Mel Gibson

Hacksaw Ridge desenrola-se de acordo com a vida de Desmond Doss, um americano que sonhava ser médico, mas que, infelizmente, devido às suas poucas posses económicas vê esse sonho ser-lhe negado. Quando a Segunda Guerra Mundial começa, Desmond alista-se no exército e está determinado a ajudar a sua nação no que conseguir. Mas Desmond Doss recusa-se a tocar numa arma. Porquê? Em que é que tal atitude irá resultar? Para descobrir, basta ver o filme. Um dos melhores filmes que alguma vez vi.

 

E são estes os 5 filmes de que vos queria falar hoje. Tenho mais uma dúzia de títulos, portanto, quem sabe, no futuro, não volte a repetir este post. Agora é a vossa vez: conseguem recomendar um filme baseado em factos verídicos que não podemos mesmo perder? 

 

 Até breve! 😊

  

Seg | 16.07.18

Literatura | Opinião: "O Meu Irmão", de Afonso Reis Cabral

Mar Pereira

123.jpgTítulo: O Meu Irmão

Autor(a): Afonso Reis Cabral

Edição: 2014

Editora: Leya

ISBN: 9789896603441  

Sinopse: "Com a morte dos pais, é preciso decidir com quem fica Miguel, o filho de 40 anos que nasceu com síndrome de Down. É então que o irmão - um professor universitário divorciado e misantropo - surpreende (e até certo ponto alivia) a família, chamando a si a grande responsabilidade. Tem apenas mais um ano do que Miguel, e a recordação do afecto e da cumplicidade que ambos partilharam na infância leva-o a acreditar que a nova situação acabará por resgatá-lo da aridez em que se transformou a sua vida e redimi-lo da culpa por tantos anos de afastamento. Porém, a chegada de Miguel traz problemas inesperados - e o maior de todos chama-se Luciana.
Numa casa de família, situada numa aldeia isolada do interior de Portugal, o leitor assistirá à rememoração da vida em comum destes dois irmãos, incluindo o estranho episódio que ameaçou de forma dramática o seu relacionamento.
O Meu Irmão, vencedor do Prémio LeYa 2014 por unanimidade, é um romance notável e de grande maturidade literária que, tratando o tema sensível da deficiência, nunca cede ao sentimentalismo, oferecendo-nos um retrato social objectivo e muitas vezes até impiedoso."

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Quando gosto muito de um livro, apetece-me dizer muita coisa. Quando gosto muito de um livro, é raro conseguir explicar ou exprimir o porquê de ter gostado assim tanto das palavras que li naquelas páginas. Ora, cria-se aqui um problema: tenho muito para dizer, mas não sei como. Porquê? Tenho medo de não ter a capacidade para exprimir de modo claro e evidente a qualidade do determinado livro. 

Mas vamos tentar tornar as coisas um pouco mais fáceis. Afonso Reis Cabral foi premiado, em 2014, com o Prémio Leya, prémio esse que, além de possibilitar a publicação da obra posta a concurso, oferece ao autor uma quantia de 100.000€ (cem mil euros). De relembrar que todos os anos são submetidas centenas de obras a este prémio que tanto valoriza a literatura lusófona.

Quando O Meu Irmão, em 2014, foi então declarado vencedor, por unanimidade, do Prémio Leya, as notícias depressa fizeram circular a informação que o trineto de Eça de Queiroz tinha vencido um dos mais importantes prémios literários do nosso país. Ou seja, acabaram por reduzir a vitória de Afonso e a qualidade da obra à sua árvore genealógica.

Talvez nessa altura não se soubesse bem o escondia Afonso Reis Cabral nas páginas do seu segundo livro (isto porque, aos 15 anos, o autor tinha já publicado um livro de poesia), mas, agora, é impensável reduzir uma das maiores obras primas que tive o prazer de ler aos laços familiares que acompanham o seu autor. 

Esta história segue o percurso de dois irmãos, a nossa personagem principal, cujo nome nunca será revelado, e o Miguel, que tem síndrome de Down. Começamos a leitura quando, após a morte dos pais, os dois irmãos se dirigem para o Tojal, uma pequena aldeia, situada na "viúva que é o interior de Portugal" (pág. 265) e habitada apenas por um casal de idosos e o seu filho, que, ao contrário de todos os irmãos, não havia partido para outros países ou cidades para trabalhar.

O livro alterna entre o momento presente, no Tojal, e recordações do passado, tanto da personagem principal como do irmão Miguel. Incluindo relatos do amor que surgiu entre Miguel e Luciana, uma rapariga também deficiente e com uma história, no mínimo, arrepiante. E a vida do nosso protagonista, enquanto homem divorciado, professor universitário e adepto do verbete. 

Quanto ao enredo, isto é o que se pode contar. O tema é delicado, sim. Mas é tratado de uma maneira crua e realista. Não existem floreados. 

Quando um adulto passava por nós, colocava a mão no ombro dele, como a incentivá-lo. Eu aconselhava-o a continuar a terapia porque talvez conseguisse por fim desatar a língua ou ordenar os grunhidos e, assim, conversar comigo. Percebê-lo não era o mesmo que conversarmos" (pág. 23)

Talvez porque o próprio autor tenha passado por isto mesmo. Como o próprio já referiu em entrevistas, o livro aborda uma realidade que conhece de perto, já que também um dos seus irmãos é deficiente. Mas é importante notar que O Meu Irmão é, na sua totalidade, um romance ficcionado e nunca um relato autobiográfico. 

Mas, apesar de ser um tema delicado, somos rapidamente engolidos pelas páginas do livro. A maneira como as duas narrativas (a do presente e a do passado) se acabarão por cruzar deixará o leitor espantado. Ninguém, repito, ninguém!, espera o final que este livro tem. 

O ambiente, apesar de muitas vezes parecer pesado, abre espaço a alguns momentos cómicos. Um deles em particular que irá contrastar com o restante livro. Passa-se algures pelas páginas 102 e 104 e, admito, fez-me rir à gargalhada. E é relativamente complicado um livro fazer-me rir dessa maneira.

Se, por lado, tive vontade de rir nesse momento, logo no começo do livro, tive um aperto no coração tão grande que, caso não estivesse em público, tinha deixado cair uma lágrima. 

Quem fica de fora está dividido entre o medo e o desejo de ser apanhado. Todos querem ir ao meio e ninguém quer dar parte de fraco. O meu irmão não prestava porque não tinha capacidade para apanhar ninguém. Fartos, lembraram-se de outro jogo. Rodear o do meio e chamar-lhe coisas." (pág. 26)

Quando termino um livro, depois de o classificar, gosto sempre de ler algumas das opiniões deixadas no Goodreads. Quando termino um livro de que gostei muito, vou imediatamente ler as críticas negativas do livro. Uma das maiores críticas apontadas à obra de Afonso Reis Cabral é a presença de alguns momentos parados. De facto, não podemos dizer que O Meu Irmão é um livro recheado de ação, mas, vamos pensar: estamos a falar do interior de Portugal. É um autêntico deserto, onde tudo o que se vê são casas abandonadas ou de pessoas que apenas ali regressam no verão. O Tojal é precisamente a simetria desta realidade. As casas desabitadas de quem trabalha fora e a calma típica do lugar onde "o homem ainda não existia". Ora, a falta de ação criticada por muitos só me fez sentir ainda mais abraçada ao livro, fez-me sentir ainda mais dentro da história. 

E, para isso, também a escrita de Afonso Reis Cabral contribuiu. É tão simples, mas, ao mesmo tempo, tão complexa. Tão realista, tão crua, tão visual. Conquistou-me, definitivamente. Parei 3 vezes para ler este livro e nessas três vezes vi as 368 páginas que o compõem voarem. E só queria mais. Ler mais desta escrita excelente que o autor tem. 

Quando não há solução, enfrentamos a realidade, fazemo-nos homens. Adapamo-nos. Sobrevivemos. Vencemos, lutamos, ou pelo menos somos derrotados em grande no combate que é a vida. Com o Miguel não se passa isso, ele mantém-se no mesmo estado de espírito, à semelhança de um pássaro de asa partida que ainda salta para voar. Salta e magoa a asa." (pág. 80)

Este autor tinha 24 anos quando venceu o prémio. 24 anos. É inacreditável como é que uma pessoa tão jovem consegue alcançar tanto. Já li tudo o que está disponível do autor, ou seja, este romance e o conto Uma História de Pássaros, publicado pelo Expresso, neste mesmo ano (2018). Mas quero mais. Mal saia um novo livro de Afonso Reis Cabral, eu compro-o. 

Bem, esta opinião estendeu-se bastante. Está longa, o que é raro. Mas o livro marcou-me muito. Além disso, o facto de alguns momentos do livro remeterem para a cidade do Porto (a minha cidade!), como referências à Estação de S. Bento e à Avenida dos Aliados, só o tornou ainda mais próximo de mim.

Como disse no Goodreads, não tenho uma única crítica a apontar. Desde o enredo, às personagens, à escrita... Tudo me encheu as medidas. 

Sabem aquele sentimento maravilhoso de começar um livro, sentir-se entre as personagens, ver as ações a decorrer perante os nossos olhos, devorar todas as páginas que a obra oferece e, quando terminamos, sentirmos um enorme vazio dentro de nós? Foi assim que este O Meu Irmão me fez sentir. Entrou diretamente para o leque de livros favoritos. Do ano e da vida.

É um livro fenomenal. E, apesar do António Lobo Antunes ter dito que  "um jovem de 24 anos não é capaz de escrever uma obra-prima" ou "Ninguém faz um livro aos 24 anos. Nem o Tolstoi", pois a minha modesta pessoa, enquanto leitora, diz o contrário. Para mim, este O Meu Irmão é uma verdadeira obra-prima da literatura nacional. 

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★★★★★

5/5 - Excelente

 

Caso tenham interesse em ver mais alguns factos sobre o autor, porque, pessoalmente, depois de ler a obra, tive interesse em procurar conhecer mais sobre as suas inspirações, deixo-vos aqui alguns links que podem ser úteis:

» Entrevista ao DN

» Entrevista ao JPN

» Entrevista à SIC

» Uma outra entrevista

 

Espero que tenham gostado, apesar de ter sido uma opinião gigante. Conheciam o livro? Já leram ou ficaram com interesse em ler?

 

 Até breve! 😊

 

 

Sex | 13.07.18

Literatura | 7 provérbios, 7 livros

Mar Pereira

A língua portuguesa é uma das mais bonitas do mundo (modéstia à parte), não é verdade? Mas, além de bela, é também um bom local para pescarmos alguns dos melhores provérbios e expressões idiomáticas que já ouvimos. It's raining cats and dogs [provérbio inglês] ou Ne pas avoir inventé l’eau chaude [provérbio francês] são conhecidos, sim, mas quem é que nunca ouviu falar da galinha que pouco a pouco enche o papo?

Tive a ideia de juntar provérbios e livros. Estão prestes a descobrir o resultado no que, talvez, possa ser considerada uma TAG. Por isso, sem mais demoras...

 

1 - A pensar morreu um burro.

Um livro que enrolou, enrolou, enrolou e parecia nunca mais chegar ao fim.

 

Amor Cruel, de Colleen Hoover. Não é que não se passe nada no livro - porque até nem é o caso -, mas o livro resume-se a: beijos, sexo, zangas, beijos, sexo. Enrolou-se neste tipo de enredo o livro inteiro e nunca, nunca mais acabava. Não recomendo.

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2 - Mais vale tarde que nunca.

Um livro de que não estavas a gostar muito, mas depois *puff fez-se luz* teve um final muito bom.

 

A Vida na Porta do Frigorífico, de Alice Kuipers. Eu estava gostar do livro, o conceito é muito interessante e real e o formato é, no mínimo, original. Só que não me estava a dizer nada, percebem? Até que, depois, o final... Auch.

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3 - Antes só que mal acompanhado.

Um livro único (stand-alone) espetacular.

 

A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak. Ainda hoje não tenho palavras para este livro. Acho que nunca vou ter. 

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4 - A galinha do vizinho é sempre melhor que a minha.

Um livro muitas vezes comparado a livros ou sagas populares, mas que ficou um pouco abaixo das expectativas.

 

Ponto Sem Retorno, de Gabriela Simões. Foi um livro de parceria, mas realmente comigo não resultou. Não gostei nada. É comparado a sagas como Os Jogos da Fome ou A Seleção. Eu mesma o comparei a essas sagas. Mas não pelas melhores razões...

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5 - Para bom entendedor meia palavra basta. 

Um livro curto, mas bom.

 

Uma Escuridão Bonita, de Ondjaki. Este aqui não é um livro "bom". É muito bom, extraordinário, maravilhoso. Enfim, é tudo de bom. Leiam, vão ficar espantados com a qualidade do texto, das ilustrações e da edição em si (Editorial Caminho). So·ber·bo

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6 -Todos os caminhos vão dar a Roma.

Um livrou e/ou universo literário para o qual gostavas de viajar.

 

Saga Harry Potter, de J. K. Rowling. Existe outra resposta que não seja Hogwarts? Claro que adoraria visitar (ou viver) este paraíso mágico...

 

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7 - Quem te avisa teu amigo é.

Recomenda três livros.

 

Mulheres, de Carol Rossetti. Porque temos de aprender a amar-nos como somos.

Todos Devemos Ser Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie. Para que as desigualdades do passado jamais se repitam.

Vamos Comprar um Poeta, de Afonso Cruz. Porque toda a gente tem direito a conhecer escritas maravilhosas e, sobretudo, porque somos amantes das letras.

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Estive a pensar a quem é que devia passar esta espécie de TAG e decidi lançar a toda a gente que anda por aí. Se gostaram da ideia, deixem-me saber as respostas. E, já agora, qual é o vosso provérbio favorito?

 

Até breve! 😊

 

 

 

 

 

Qua | 11.07.18

Cinema | Brevemente, numa sala de cinema perto de si

Mar Pereira

Capturar

 

Todas as semanas, chegam novos filmes às salas de cinema de todo o mundo. Confesso que nem sempre essas mesmas estreias me despertam um grande interesse, mas, este ano, as coisas estão um bocadinho diferentes. Por isso, hoje, vou dar-vos a conhecer alguns filmes que brevemente chegarão aos cinemas e que eu estou mortinha por ver. 

 

Christopher Robin123.jpg

  • Género: Animação, Aventura, Comédia
  • Atores: Hayley AtwellEwan McGregorToby Jones
  • Diretor(a): Marc Forster

Quem não gostaria de voltar à infância e voltar a ver o Winnie the Pooh numa tela gigante? 

Christopher Robin está precisamente associado ao regresso de Winnie the Pooh às salas de cinema, desta vez, em imagem real. A premissa é simples: Chirstopher Robin já não é o mesmo. Cresceu e está longe de tudo o que fez parte da sua infância, vivendo obcecado pelo trabalho. Cabe aos seus amigos do Bosque dos 100 Acres despertar-lhe a faceta criativa e alegre que ainda tem, algures.

 

Estreia a 15 de agosto (segundo o IMDb).

 

The Darkest Minds123.jpg

  • Género: Ficção Científica, Thriller
  • Atores: Amandla StenbergMandy MooreGwendoline Christie
  • Diretor(a): Jennifer Yuh Nelson

Adaptado do livro escrito por Alexandra Bracken, The Darkest Minds (ou Mentes Poderosas, em português) passa-se num mundo distópico, onde os adolescentes desenvolvem novas habilidades, capacidades sobrenaturais e poderosas, e, por isso, são temidos pelos adultos. Seguimos a história de Ruby, de 16 anos, que, juntamente com outros 3 adolescentes, nos guiará pela jornada da sobrevivência e da resistência.

 

 

Estreia a 9 de agosto (segundo o IMDb).

 

The Nutcracker and the Four Realms 123.jpg

  • Género: Aventura, Fantasia
  • Atores: Keira KnightleyMackenzie FoyMatthew Macfadyen, Morgan Freeman
  • Diretor(a): Lasse Hallström

The Nutcracker and the Four Realms (em português, O Quebra-Nozes e os Quatro Reinos) é o live-action do mundialmente conhecido espetáculo de Ballett O Quebra-Nozes, que narra a estória de uma menina, Clara, que, no Natal, recebe um presente especial que a transportará para um fantástico, mas, ao mesmo tempo, estranho mundo paralelo. Lá, encontrará, de certo, realidades mágicas e, possivelmente, uma enorme aventura.

 

Estreia a 31 de outubro (segundo o IMDb).

 

 

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  • Género: Biografia, Drama, Música
  • Atores: Joseph MazzelloRami MalekMike Myers
  • Diretor(a): Bryan Singer

Uma celebração aos Queen e à vida de Freddie Mercury, Bohemian Rhapsody "roubou" o título a uma das mais desafiantes e populares canções de todos os tempos e promete ser completamente épico, explorando o inicio e ascensão dos Queen, os estereótipos quebrados por Mercury e, claro, o estilo de vida de um dos maiores artistas de sempre. 

Oiço Queen desde pequena, por influência da minha mãe. Ainda hoje o gosto se mantém. Estou ansiosa para ver este filme. 

 

Estreia a 1 de novembro (segundo o IMDb).

 

Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald

  • Género: Aventura, Fantasia
  • Atores: Eddie RedmayneKatherine Waterston, Jude Law
  • Diretor(a): David Yates

Fantastic Beasts: The Crimes of Grindelwald (em português, Monstros Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald) continuar a explorar as aventuras de Newt Scamander, um famoso magizoologist (= pessoa que estuda criaturas mágicas), desta vez com a participação especial de um velho conhecido: Albuns Dumbledore, numa versão mais jovem.

Nota: Ainda não existe capa oficial do filme

 

Estreia a 15 de novembro (segundo o IMDb).

 

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  • Género: Fantasia, Musial
  • Atores: Emily BluntMeryl StreepColin Firth
  • Diretor(a): Rob Marshall

Londres está a atravessar a fatídica crise de 1929. Mary Poppins Returns é a continuação do filme de Mary Poppins, de 1964, que relatava a estória de um homem, severo e sem tempo, que decide colocar um anúncio no jornal em busca de uma ama para os filhos. Ora, essa mesma ama será trazida pelo vento, tem poderes mágicos e irá revolucionar a vida da família a quem se junta.

O que me desperta aqui o intresse não é propriamente o enredo, mas sim a Emily Blunt. Costumo adorar os filmes dela.

 

Estreia a 27 de dezembro (segundo o IMDb).

 

Mary Queen of Scots123.jpg 

  • Género: Biografia, História, Drama
  • Atores: Margot RobbieSaoirse RonanGemma Chan, David Tennant
  • Diretor(a): Josie Rourke

Quase não sabemos nada sobre Mary Queen of Scots, a não ser, claro, que retratará a vida de duas das maiores rainhas da História: Mary Queen of Scots (ou Maria, Rainha da Escócia) e Elizabeth I (ou Isabel I). Como sabemos, foi durante o reinado de Elizabeth I (séc. XVI, fundamentalmente) que Inglaterra teve um progresso extraordinariamente grande. E não se pode falar de Mary sem de falar de Elizabeth. Isto porque as primas tiveram uma das mais conhecidas relações da História. Entre cartas trocadas, prisões, traições e cabeças cortadas, a relação das duas das mais poderosas rainhas de sempre dá pano para mangas. E, por isso, tudo o que podemos esperar de Mary Queen of Scots é nada mais nada menos que um filme, no mínimo, surpreendente. 

 

Estreia a 19 de fevereiro de 2019 (segundo o IMDb).

 

 

 

E, por hoje, é tudo. Digam-me: quais são as chegadas aos cartazes e às salas de cinema que mais aguardam?

No meu caso, devo ser honesta, de toda a lista, aqueles que me deixam mesmo, mesmo, mesmo ansiosa para ver são, sem dúvida, o Bohemian Rhapsody e o Mary Queen of Scots. Caso para dizer...

 

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 Até breve! 😊

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Seg | 09.07.18

Literatura | Opinião: "Fado", de José Régio

Mar Pereira

123.jpgTítulo: Fado

Autor(a): José Régio

Edição: 2011 

Editora: A Bela e o Monstro

ISBN: 9789898508201

Sinopse: "Fado (1941) partilha daqueles traços marcantes da poesia do autor evidenciando uma faceta trágica e expressionista que por momentos atinge algum paroxismo. O sujeito lírico revela-se sensível à tragédia de tipos sociais e humanos afligidos por uma chaga moral, um fado, e que não vislumbram nem encontram qualquer oportunidade social de se realizarem. Há neste livro (cf. "Fado dos Pobres"), como nalguma da sua narrativa, vultos humanos e sociais - velhos, prostitutas, dementes, estropiados, artistas marginais, mulheres desencantadas- dignos de Raul Brandão. Constata-se uma atenção ao "pathos" feminino ("Fado das mulheres de vida fácil"), que aliás também atravessa a galeria feminina da narrativa do autor (nomeadamente no mencionado livro Histórias de Mulheres) e uma espécie de reconciliação amarga ou comunhão secreta com estas almas perdidas (cf. "Fado do Amor"; "Fado-Canção").

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Fado, publicado pela primeira vez em 1941, além de poesia, encerra em si a descrição de Portugal e a resposta para a questão "o que é ser português?". 

Este é um livro que relata em verso realidades frias, cruas: as das prostitutas, do crime, da vida da noite, dos marinheiros, do amor desconhecido, da religião. A realidade das cidades portuguesas. 

É no mínimo surpreendente compreender como consegui José Régio compilar num só livro tantas temáticas, que, de resto, estarão a andar lado a lado ao longo das poucas páginas. 

É um livro que nos dá um retrato detalhado de cidades como Portalegre, Coimbra e Vila do Conde. Todas com uma especial ligação ao autor que as descreve de um modo absolutamente extraordinário. 

Neste que é um livro tipicamente português, já que recorre muitas vezes às raízes da nossa cultura que estão semeadas no mar, José Régio revela uma capacidade que pode agradar àqueles que não são grandes apreciadores de poesia: em verso, com uma escrita simples que descarta por completo aqueles floreados que ora tornam a poesia bela ora a tornam enfastiante, Régio tem a capacidade de contar uma estória. Por exemplo, da origem do fado (enquanto música). Onde? No poema «Fado Português», o meu preferido de todo o livro. E começa assim...

O fado nasceu num dia,
Em que o vento mal bulia
E o céu o mar prolongava,
Na murada dum veleiro,
No peito de um marinheiro
Que estando triste, cantava."

- José Régio, Fado

Caso tenham curiosidade, de tão belo que é o poema, foi interpretado pelas vozes de Amália Rodrigues e Dulce PontesA palavra fado é muitas vezes associada apenas à música tradicional portuguesa, mas, além disso, fado significa destino. Acho engraçado como, subitamente, tudo se junta. A música, o destino. 

Em suma, resta-me dizer que adorei o livro. Custou-me 1€ (a edição corresponde precisamente àquela apresentada acima), mas podem facilmente encontrá-lo a 5€ ou menos. Pelo menos, as 2 edições que conheço têm preços abaixo desse valor. É uma autêntica pechincha. 

Embora seja muito pouco conhecido, vale a pena. Pelo preço, pela qualidade, pela escrita. Por tudo.

 

Leitura para o #LerOsNossos, #MaratonaÀBeiraMar e #BookBingoLeiturasAoSol2.

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★★★★☆

4/5 - Muito Bom

 

 Até breve! 😊

 

 

 

Dom | 08.07.18

Cinema | Opinião: "Mary Shelley"

Mar Pereira

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Título: Mary Shelley

Ano: 2018

Género: BiografiaDrama, Romance

Diretor(a): Haifaa Al-Mansour

Principais Atores:  Elle FanningMaisie WilliamsTom Sturridge, Douglas Booth

IMDb: 6,3/10

Sinopse: "A história de Mary Wollstonecraft Godwin - autora de Frankenstein, um dos romances góticos mais famosos de sempre - e a sua intensa e tempestuosa relação com o conhecido poeta romântico Percy Blysshe Shelley

Mary e Percy apaixonam-se, e para horror da família de Mary, decidem fugir juntos. Os dois sentem-se marginais em espírito, afastados da sociedade opressiva e controladora onde vivem, mas unidos por uma química natural e ideias progressivas que vão muito além dos limites da sua era e idade. Durante a sua estadia na casa de Lord Byron no Lago Genebra, onde a relação entre eles vai ficando mais tensa e complicada, a ideia para a criação de Frankestein toma forma quando um desafio é lançado a todos os hóspedes para criarem um conto de terror. Assim é criada uma personagem incrível, cujo legado vai impor-se sobre a cultura popular durante os séculos seguintes. No entanto, a sociedade daquele tempo não está ainda preparada para aceitar e reconhecer o valor de mulheres escritoras, e com apenas 18 anos Mary é forçada a confrontar-se com estes preconceitos, tanto para proteger o seu trabalho como para forjar a sua identidade." (SAPO Mag)

XXXXx.pngSabia muito pouco sobre Mary Shelley, devo ser sincera. Claro que conhecia a sua obra Frankenstein, que, desde já, estou ansiosa para ler, mas sobre a sua vida eram poucos os factos que conhecia.

Filha de duas notáveis personalidades - William Godwin, filósofo e escritor, e Mary Wollstonecraft, escritora e defensora dos direitos das mulheres -, Mary Shelley viveu uma vida um tanto atribulada. Viajou muito, viveu uma paixão efervescente, lidou com a morte de três filhos, viu passar por si a solidão e a tristeza.

Ninguém pode negar que esta senhora foi uma revolucionária na literatura. Com o seu Frankenstein (ou The Modern Prometheus), criado há 200 anos, Mary impulsionou o género que hoje chamamos de ficção científica. No dia 16 de junho de 1816, nasceu o monstro.

Os elogios à sua obra foram tremendos e, ainda hoje, Frankenstein é lido e conquista leitores ao redor do mundo. E, segundo nos parece, é um clássico que continuará a fazer as delícias dos leitores.

Quanto ao filme em si, vi críticas tão más, mas, no entanto, não tenho grandes defeitos a apontar-lhe. Penso que, de um modo geral, retrata bem a vida de Mary, o seu amor por Percy Shelley, os dramas familiares e até as histórias de segundo plano, como a de John Polidori, estão enquadradas.

O único aspeto que posso atacar é o facto de, por vezes, o filme se tornar confuso. Isto porque, como sabemos, Mary e Percy Shelley viajaram muito, por toda a Europa. E essas viagens estão, de certo modo, presentes no filme. No entanto, não me recordo de alguma vez terem sido feitas referências ao local onde se encontrava a ação, o que pode dar a entender que a vida de Mary se desenrolou só e apenas no Reino Unido - o que não é, de todo, verdade!

É realmente um filme obscuro, melancólico e, arrisco-me a dizer, um filme que nos transmite um sentimento de solidão e melancolia muito grande. A vida de Mary Shelley, segundo sei, não foi muito diferente.

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★★★★★★★☆☆☆

7/10 - Bom

 

E vocês que têm a dizer sobre Mary Shelley ou sobre a sua mais famosa obra, Frankenstein?

 

 Até breve! 😊

 

 

Sab | 07.07.18

Literatura | Opinião: "Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes 1 & 2"

Mar Pereira

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Título: Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes (em inglês, Good Night Stories For Rebel Girls)

Saga: Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, volume 1.

Autor(a): Elena Favilli e Francesca Cavallo

Edição: 2017

Editora: Nuvem de Tinta

ISBN: 9789896653057

Sinopse: "Com estas Histórias de adormecer para raparigas rebeldes, as raparigas mais apaixonadas, independentes e decididas poderão adormecer embaladas pelas histórias de vida inspiradoras de 100 mulheres que mudaram o mundo. Com a sua inteligência e determinação, estas mulheres extraordinárias ficaram na história da Humanidade por terem tido a audácia de sonharem com um mundo onde o género não define fronteiras e onde ser mulher é ter uma voz e a força necessária para a erguer.
Do talento de Frida Kahlo à liderança de Cleópatra, passando pelo activismo de Malala e pelo génio visionário de Ada Lovelace, estas são as vidas que entusiasmam raparigas no mundo inteiro e nos reforçam a esperança num mundo mais justo, igualitário e belo."

 

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Título: Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes 2 (em inglês, Good Night Stories For Rebel Girls 2)

Saga: Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes, volume 2.

Autor(a): Elena Favilli e Francesca Cavallo

Edição: 2018

Editora: Nuvem de Tinta

ISBN: 9789896654993

Sinopse: "Depois de o primeiro volume de Histórias de Adormecer Para Raparigas Rebeldes ter embalado mais de um milhão de pessoas, as autoras Francesca Cavallo e Elena Favilli dão-nos a conhecer cem novas histórias de mulheres extraordinárias cujas vidas imprimiram no mundo uma marca de coragem, iniciativa e irreverência. Cada biografia é um pequeno conto inspirador que nos faz sonhar com um infinito universo de possibilidades. Entre escritoras, astronautas, fotógrafas, atrizes, políticas, cantoras, professoras, ativistas, revolucionárias, rainhas, enfermeiras, acrobatas Estão mulheres tão diferentes como Agatha Christie, Yeonmi Parke, Nefertiti, J.K. Rowling, Beatrix Potter ou Simone Veil. Vidas que renovam a nossa esperança num mundo mais justo, igualitário e belo. Histórias que inspiram a sonhar mais longe"

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Como fiz anos no passado dia 21 de maio, a minha mãe decidiu dar-me dois livros como presente. "Estava a ficar careca de te ouvir dizer que querias muito, muito, muito ler estes livros", disse-me ela.

Estes dois livros estão catalogados como "Literatura Juvenil". Percebe-se porquê: histórias contadas de maneira muito simples, crua, com uma linguagem um tanto infantil, as ilustrações (feitas por pintoras de todo o mundo) e o típico começar da narração pelo era uma vez...

Apesar de o encontrarmos na secção infantil das livrarias, estes livros não olham a idade, género ou gosto. São livros que toda a gente pode ler e muito facilmente gostar.

Sou aluna de Línguas e Humanidades e uma eterna apaixonada por História, e sei que muitas mulheres, muitas mulheres importantes, foram apagadas das nossas memórias. A História está cheia de mulheres importantes cujos nomes ou conquistas nunca aprendemos na escola.

Histórias de Adormecer para Raparigas Rebeldes dá-nos a conhecer alguns desses nomes. Ensina-nos que, não importa de onde vimos, de que sexo somos, qual é a nossa idade: cada um de nós é capaz de vencer pequenas batalhas e obter pequenas vitórias e, parecendo que não, também isso já é mudar o mundo.

Estas histórias que, curiosamente, serviam para adormecer, acordaram em mim a necessidade de saber mais sobre algumas destas senhoras.

Só me apetece gritar ao mundo: Por favor, leiam estes livros. São muito bonitos e, sobretudo, muito importantes.

Aguardo ansiosamente um possível 3º volume. E a história de uma personalidade portuguesa - se pudesse sugerir, diria Carolina Beatriz Ângelo, D. Maria II ou Florbela Espanca.

As mulheres têm de continuar a unir-se para transformarem as suas lágrimas em triunfo"
- Leymah Gbowee

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★★★★★

5/5 - Excelente

 

Já leram estas coletâneas de conhecimento? Têm interesse em ler?

 

 Até breve! 😊

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Qui | 05.07.18

Experiências | Então, como foi o voluntariado?

Mar Pereira

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Em dezembro, contei-vos, aqui, que, durante este ano letivo, me tinha lançado à aventura de ser voluntária, para ajudar meninos do 3º ciclo com os trabalhos de casa, a estudar para os testes, a praticar e a melhorar em algumas disciplinas a que tenham mais dificuldade.

Abdicava, todas as semanas, de, pelo menos, duas horas do meu tempo livre para estar ali, de alma e coração, a ajudar quem pretendia melhorar em termos académicos.

Desde outubro até junho, muitas "duas horas" se passaram, duas horas essas que transbordavam, muitas vezes, para os corredores, para o recreio, para os tempos livres. E, agora que acabou, podia dizer que resta apenas a saudade, mas, na verdade, resta tanto mais...

Acolhi, durante oito meses, uma aluna do 9º ano e um alno do 7º ano, no meu coração. Fiz tudo o que pude para os ajudar. Tentei sempre dar o melhor de mim. E os resultados que eles alcançaram no final do ano deixam-me orgulhosa por ver que, durante estes oito meses, cresceram tanto e alcançaram vitórias tão grandes (porque, sim, tiraram excelentes notas neste último período).

Sem dúvida que isto me ajudou também a mim a crescer, enquanto aluna e enquanto pessoa.

Resta tanto mais para além de saudade. Resta gratidão, felicidade, sentimento de dever cumprido, amizade.

Confesso que, em algumas semanas, aquelas duas horas podiam ter-me sido úteis para estudar ou até para descansar um pouco. Mas quem corre por gosto não cansa, certo? Se voltasse atrás, não mudaria nada.

A quem nunca experimentou ser voluntário, seja em que área for, de que é que estão à espera?

Pessoalmente, só tenho coisas boas a dizer. Coisas muito boas, mesmo.

Espero, um dia, repetir a experiência. Não me parece que o faça para o ano, pois, a nível de horários, vai ser extremamente complicado. Mas, quem sabe, no ano seguinte, ou numa outra altura, numa outra área, com outro tipo de objetivos...

 

E vocês, alguma vez estiveram envolvidos num projeto de voluntariado?

 

 Até breve! 😊

 

Seg | 02.07.18

Literatura | TBR: Book Bingo - Leituras ao Sol #2 & Epic Book Reads

Mar Pereira

Como disse no post do Ler os Nossos, existem mais alguns projetos/maratonas nas quais vou participar este verão, de que são exemplo a maratona Book Bingo Leituras ao Sol 2 e a Epic Book Reads.

 

BOOK BINGO - LEITURAS AO SOL 2

 

Este desafio foi criado pela Isa, do canal e blogue Jardim de Mil Histórias, e pela Patrícia, do canal e blogue O Prazer das Coisas. Decorrerá de 21 de junho a 23 de setembro.

O objetivo é “completar leituras de uma linha ou coluna, na horizontal, vertical ou diagonal”. Para os mais corajosos, fica o desafio de completarem todo o cartão e… BINGO!

Podem consultar o post do projeto no do Goodreads Leituras Partilhadas, para ficarem a saber de informações extra ou para esclarecerem eventuais dúvidas, aqui. Ou ainda verificar os posts das organizadores aqui e aqui.

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As categorias são as seguintes: 

1- Um livro que tenha sido lançado no ano em que nasceste;
2 – Um livro cujo o título tenha as letras que componham a palavra MAR;
3 – Um livro de um autor português;
4 – Um livro de um autor que tenha as tuas iniciais;
5 – Um livro escrito por uma mulher;
6 – Um livro “silly“;
7 – Um livro com apenas uma palavra no título;
8 – Um livro que leste quando eras jovem e gostaste muito;
9 – Um livro que se passe no Verão;
10 – Um livro com um número no título;
11 – Um livro de não-ficção;
12 – Um livro que compraste pela capa;
13 – Um livro de um prémio literário estrangeiro;
14 – Um livro escrito por uma celebridade;
15 – Um livro que tenha sido publicado há mais de 10 anos;
16 – Um livro de um prémio literário português.

 

Como eu já sei que sou uma leitora lente e que raramente se guia pelas listas de livros que faço para as maratonas, e embora tenha tentado selecionar um livro para cada categoria, decidi começar por me propor apenas a fazer 1 linha, que inclui os desafios:

  • 3 – Um livro de um autor português

Os Maias, de Eça de Queiroz. Pois, chegou o momento. Além disso, ler Eça é #LerOsNossos.

  • 7 – Um livro com apenas uma palavra no título

Encantamento, de Alice Hoffman. Ainda estou para ver o que vem deste livro que tem menos de 200 páginas, é romance histórico e me custou menos de 2€. Capa pavorosa!

 

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  • 11 – Um livro de não-ficção

Querida Ijeawele – Como Educar para o Feminismo, de Chimamanda Ngozi Adichie. Este vou ler em ebook e em inglês, mas já sei que vou adorar.

  • 15 – Um livro que tenha sido publicado há mais de 10 anos

Fado, de José Régio. Foi originalmente publicado em 1941, portanto, há bem mais de 10 anos…

 

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EPIC BOOK READS

 

Organizada pela Patrícia do canal e blogue Love, Peace & Write, esta é uma maratona focada principalmente no género fantástico. Decorrerá durante todo o mês de julho, ou seja, de dia 1 de julho a 31 de julho.

Podem consultar o video de introdução à maratona, para ficarem a saber de informações extra ou para esclarecerem eventuais dúvidas, aqui ou aqui.

Os desafios são os seguintes: 

 

1 – Hogwarts – Um livro repleto de Magia.
2 – Narnia: Ler um livro com um mundo diferente do nosso, com criaturas diferentes ou com ligação ao nosso.
3 – Campo Half-blood. Ler um livro onde a personagem principal depende de amigos ou que exista uma irmandade.
4 – Oasis: Um livro que seja de outro mundo ou que se passa num mundo distópico.
5 – Westerus: Um livro que seja Epic Fantasy
6 – Wonderland. Um livro que seja num tempo antigo ou que seja um mundo completamente louco ou que seja a personagem principal a criar o mundo
7 – Academia dos Vampiros. Um livro que fale de uma criatura sobrenatural.
8 – Shire. Um livro com um enorme vilão ou que uma personagem que se torna má.

 

Neste caso, como não tenho livros para todas as categorias vou apenas (tentar) completar alguns desafios:

 

  • 1 – Hogwarts – Um livro repleto de Magia.

Harry Potter e a Ordem da Fénix, de J. K. Rowling. Porque já é tradição eu ler Harry Potter no verão e no Natal… E com este livro posso também responder ao desafio 3 – Campo Half-blood. Ler um livro onde a personagem principal depende de amigos ou que exista uma irmandade.

  • 2 – Narnia: Ler um livro com um mundo diferente do nosso, com criaturas diferentes ou com ligação ao nosso.

City of Bones (ou Cidade dos Ossos), de Cassandra Clare. Na verdade, vai ser uma releitura, já que o li o ano passado em português e não gostei nada nada nada por causa da tradução. Este ano vou dar uma oportunidade ao livro em inglês.

 

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  • 4 – Oasis: Um livro que seja de outro mundo ou que se passa num mundo distópico.

Eu sou a Lenda, de Richard Matheson. Não sei até que ponto será bem-bem distópico, mas, é ficção científica e pós-apocalíptico, por isso… Será que a batota é perdoada?

  • 7 – Academia dos Vampiros. Um livro que fale de uma criatura sobrenatural.

Ameaça de Um Anjo, de Patrícia Lourenço Ferreira. É um livro de parceria e, por isso, tenho de o ler o mais rapidamente possível. Está em ebook, já sabem que para mim é sempre complicado ler em formato digital, mas não vai ser o fim do mundo!

 

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 Até breve! 😊

 

 

 

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